sexta-feira, 4 de maio de 2012

Que horas você para?

Eu estava ontem voltando para casa depois de um dia de trabalho. O metrô nem estava tão cheio quanto costuma ser normalmente. Eu estava num banco, virado para a janela e a noite já tomava conta da paisagem. O cansaço e o sono eram fortes. Os olhos pesavam. Foi quando eu me dei conta de uma coisa interessante.

Olhei para as pessoas que saiam numa determinada estação e para outras que entravam. Poucas conversavam umas com as outras. Poucas também sorriam. O passo era apressado. Os rostos tristes, preocupados ou impenetráveis.

Num dos bancos próximos a mim estava uma mulher com um bebezinho de colo. Até onde minha vista alcançava, somente nós três estávamos sorrindo. Num mar de indiferença, temores e isolamento, o sorriso daquela criança era uma ilha de conforto. Quantos ali viram aquela criança? Quantos puderam aliviar o peso da carga diária com o olhar doce que ela transmitia?

Sim, você pode achar que este texto está muito piegas, sentimental demais. Então me deixe valer de outro exemplo, antes de entrarmos na questão pastoral de fato.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Alguem disse que outra pessoa disse

Eu acompanhei há uns meses uma assembleia de Pastoral da Juventude. Eles usaram o método Ver Julgar Agir para organizar a atividade. Estive presente nos dois primeiros momentos. No levantamento da realidade, os jovens (todos de grupos de base) eram convidados, entre outras coisas, a escreverem num papelzinho uma coisa boa que existia em seu grupo e uma coisa ruim.

Espantou-me, a princípio, ao ver que em mais da metade dos grupos foi apresentada a fofoca como sendo uma das coisas ruins que existiam em seus grupos. Digo que fiquei espantado inicialmente, mas depois pude refletir melhor e ver que não é tão espantoso assim.

O que é a tal da fofoca? Fofocar é falar, comentar, especular sobre a vida de outras pessoas, sem o compromisso com fatos concretos, apenas com a própria opinião. É como se fosse um achismo sobre a vida alheia, sem que o alheio fosse consultado a respeito.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Amores pejoteiros

Era uma manhã de domingo e ele acordou antes dela. Os raios de Sol já entravam pelas frestas da janela e ajudaram a iluminar um pouco mais o quarto. Com um pouco de luz ele pôde ver o rosto dela e sorriu. Era como se um filme passasse diante dos seus olhos e o final era feliz.

Ele se julgou um cara com muita sorte. Não acreditava que fosse cheio de qualidades a ponto de ter conquistado o carinho daquela moça. Era certo, porém, que deveria ter algumas sim. E, possivelmente, seriam as qualidades que ela mais apreciava. Afinal já eram alguns anos de convivência em comum e de casamento.

Em sua cabeça era como se todos estes anos fossem dias que aconteceram nas últimas semanas. Tudo foi tão intenso e tão bacana que até as dificuldades passadas serviram para fortalecer ainda mais aquela união.

Ele se recorda bem (e faz questão de valorizar a boa memória que diz cultivar) que foi numa tarde ao lado da catedral que ele a viu pela primeira vez. Lembra que fez questão de ajudá-la porque ela parecia perdida e procurava por alguém. Quem sabe ela não estaria interessada em participar da PJ? E estava. Ela procurava por seu melhor amigo que, semanas antes, a tinha chamado para participar daquela reunião de rearticulação da PJ diocesana.

terça-feira, 10 de abril de 2012

E se não existisse a PJ?

Passamos a pouco pela Semana Santa e quero crer que para muitos de vocês que leem este texto, foram dias de boas e relevantes reflexões. O tríduo pascal reúne as celebrações mais importantes da nossa fé cristã. E nos faz pensar sobre os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Para mim, em particular, estes dias me fazem pensar que, apesar da dor, apesar das tristezas ou do sacrifício, a morte não tem a última palavra. Ela não é o fim das coisas. A vida prevalece afinal. A proposta boa de Jesus não poderia morrer e ficar sepultada naquele buraco na pedra. Não era possível que a morte dominasse Jesus, como lembra Pedro no discurso após o Pentecostes.

O que estaríamos fazendo hoje se a notícia da ressurreição não tivesse se espalhado pelo mundo? É possível que muito de nossa linguagem cultural, simbólica e política seria bem diferente. Mesmo entre aqueles que não creem, a influência cristã é relevante. Nossa sociedade é bem marcada por esta história. Sem a ressurreição toda nossa fé é vazia. E, claro, não existiria também a PJ.

Fazer o exercício do que seria o mundo sem o cristianismo já foi tema de livros e teses. Daria assunto para muita conversa. E se restringíssemos nosso olhar? O que seria um mundo sem PJ? Como você que lê este texto reagiria?

segunda-feira, 19 de março de 2012

Que Deus é esse?

Eu estive numa festinha de crianças com minha esposa e meu filho por estes dias. A maioria das crianças adora estes eventos e o meu garoto não é diferente. Quem o conhece sabe que ele não é de ficar parado e nem de deixar os outros parados (o pai e a mãe dele, em especial).

Do meio para o fim da festa, uma senhora que presenciou toda a energia e alegria dele veio comentar comigo: “Ele tem medo de você?”. Eu respondi que quando eu fico bravo, sim, ele tem medo. Parecia que eu havia dito a senha correta, pois ela balançou a cabeça positivamente dizendo que é preciso que ele tenha medo de alguém.

Esta afirmativa veio me cutucando por estes dias. Seria preciso mesmo ter medo para obter respeito? Será que o amor não basta? Será que é mesmo o medo do castigo e da perda que mantém nossas relações e, no fim das contas, nossa sociedade unida num mesmo caminhar?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Fogo amigo

“Meu nome é Cristiano e tenho uma certa caminhada na Pastoral da Juventude. Participei por um longo período das instâncias e hoje milito numa ONG que atua na luta pelos direitos da juventude.

Digo que minha vida pessoal é profundamente marcada pelas opções que fiz durante minha passagem pela PJ. E por tudo isso eu sou muito grato. Posso afirmar que até hoje, no trabalho que desenvolvo, estas opções ainda são muito fortes. Contudo, nem tudo foram e nem são flores.

Há gente que você sabe previamente que serão opositores e tentarão de todas as formas, éticas ou não, atrapalhar seus projetos e propostas. Isto é previsível, esteja você no campo que estiver. Contudo, há de se estranhar quando o opositor está nas suas fileiras, quando é um companheiro ou companheira que atua pelas mesmas causas e que já comeu o mesmo pão murcho e tomou o mesmo suco que até hoje você não sabem qual deveria ser o sabor.

É a turma do fogo amigo. Quando você se dispõe a atuar pela vida da juventude, pela sua formação integral e pelo crescimento de sua consciência crítica, sabe que será metralhado por algumas pessoas ou grupos. Há grupos aliados que metralham de volta e alguns destes tiros acabam acertando você. E há nestes mesmos grupos, alguns que enxergam em você o inimigo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Como encarar um grupão?

A gente sabe que a Pastoral da Juventude tem uma turma boa de conversa e que sabem conduzir uma discussão num nível bacana. A razão de tudo isso é que eles foram forjados nos pequenos grupos de base, nas discussões comunitárias, nos debates promovidos. É uma turma de consciência crítica e que encara qualquer parada.

É mesmo??

Já vi muitos colegas de pastoral que encaram numa boa o debate num grupo pequeno, mas que tremem nas bases quando vão falar num grupo grande, de mais de setenta pessoas, por exemplo. Temos toda uma técnica para os grupos pequenos. E para os grandes?

Não era costumeiro que a PJ trabalhasse com grupos grandes em falas mais aprofundadas. Os tempos atuais, porém, pedem e exigem algumas capacitações a mais. Por vezes somos chamados a falar em conferências, grandes encontros, palestras para grupos fora da realidade pejoteira ou assembleias maiores. O que é importante para se preparar bem?