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sábado, 27 de julho de 2013

O poder do simbólico

Eu já havia escrito aqui a respeito dos valores dos símbolos. As flores carregam diversos sentidos além de seu próprio ser. Roupas, calçados, acessórios dizem muito aos outros a respeito de quem os vestem porque a eles foi atribuído um significado, seja isoladamente, seja quando utilizados em conjunto.

Quando escrevi o texto acima, queria falar do sentido do anel de tucum. Contudo o universo simbólico da pastoral da juventude é um baú imenso de onde se tiram memórias antigas e novidades formosas. Talvez o mais representativo destes símbolos seja aquele estampado na bandeira da PJ.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Quem te representa?


Eu havia tomado uma decisão de não mais tocar neste assunto. Quando alguém vinha perguntar minha opinião, eu sempre dizia para deixar de lado porque isso não nos fazia bem. Mas os acontecimentos das últimas semanas nas redes sociais acabaram por forçar um posicionamento. É preciso dizer algumas linhas sobre este assunto que está constantemente na pauta: o conflito entre outros grupos católicos e a Pastoral da Juventude. 

Na verdade, este tipo de conflito é tão antigo quanto a Igreja, se formos manter a discussão somente no âmbito eclesial. Mesmo porque, desde que mundo é mundo, o ser humano bate boca por conta de opinião e divergência de opinião. 

Há algumas discussões extremamente produtivas, pois nos fazem ter um novo olhar sobre determinado fato. Há outras em que vale a pena entrar, porque há vidas ou outros interesses importantes em jogo. É preciso convencer a outra parte, ou a maioria dela, portanto. Há ainda mais algumas em que o grande valor está na qualidade da argumentação. É prazeroso debater em alto nível.

domingo, 24 de março de 2013

Uma igreja pobre para os pobres


Falávamos em outro artigo sobre a opção preferencial da Igreja pela juventude. Ao olharmos nos documentos da Igreja, no entanto, é anterior a ela a opção pelos pobres. Em tempos de teologia da prosperidade, consumismo, crises econômicas aqui e ali, falar novamente dos pobres parece meio fora da ordem.

Para a Pastoral da Juventude, a opção pelos pobres nunca esteve fora da pauta. Por ser opção da Igreja, ela deve se pautar em ações. E toda ação evangelizadora concreta se dá por meio das pastorais. No entanto, os pobres e as causas da pobreza estavam ficando mais matizados nos discursos eclesiais.

domingo, 3 de março de 2013

A tal opção preferencial pela juventude

Documentos da Igreja a apontam. Pessoas repetem a afirmação por aí. E neste ano de 2013 será especialmente citada. Mas será que todos os que ouvem tal afirmação tem a mesma interpretação? O que significa de fato a Igreja afirmar que fez uma opção preferencial pela juventude?
 
Num artigo anterior, já discutimos sobre as diferentes razões apresentadas pelas pessoas para investir (ou não) na juventude. A realidade da pessoa, seu histórico, sua visão de juventude e de Igreja são a base para responder a esta questão do investimento. Mas será que elas também servem para explicar os entendimentos que possam aparecer a respeito da opção preferencial pela juventude?
 
O padre Jesuíta João Batista Libânio disse certa vez que para ajudar a entender uma frase ou expressão, podemos começar analisando palavra por palavra, suas origens e significados para depois entendê-las todas juntas e posteriormente no contexto citado. Achei uma boa dica. E será como faremos neste texto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Sobre a morte e a ressurreição da CAJU


Sabe aquele vazio no peito que aparece quando uma notícia triste lhe é contada? Passei por isso há bem pouco tempo. Foi por conta de uma perda considerável. A Casa da Juventude Padre Burnier (CAJU) encerrou boa parte das atividades pastorais. Era um centro de referência de Direitos Humanos e da juventude. Publicava materiais importantes, úteis e necessários. Dava cursos, promovia debates, levantava questões, colocava o dedo na ferida, era local de acolhida, carinho e cuidado. 

Era para muitos pejoteiros do Brasil um referencial, quase um oásis. Era um local onde se estudava e partilhava a honestidade, o bom senso, a crítica, a humanidade, o ser cristão, o estar junto. Muitos jovens puderam construir seus projetos de vida sob orientação da casa. Muita gente que passou pelos cursos da CAJU acabou se tornando referência de formações pastorais nos seus locais de origem. Era de fato uma CASA da JUVENTUDE. O bem querer era a marca forte. 

Mas isso agora é história a ser contada. Eu, da minha parte, tive um misto de emoções desde que soube da notícia. Acabei, sem querer, passando pelo chamado estágio do luto, que são as cinco etapas que vão da negação do fato até a aceitação do mesmo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Precisa acabar assim?


Há tempos ele já vinha percebendo que a relação não estava lá aquelas coisas. Ela exigia muito e ele sempre dando muito. Os momentos de satisfação que eles partilhavam eram cada vez em menor número. Ele sentia que estava vivendo um período de obrigações e não de entrega verdadeira.

Ela, por outro lado, era de fato bem exigente. Não era consumista, narcisista, egoísta ou qualquer outro “ista” que você possa imaginar. Seu lado exigente estava em querer atenção e dedicação. 

Eles tinham sonhos em comum quando a relação começou. Ela apontava um mundo novo, de possibilidades e de encantamentos. Ele tinha um vigor juvenil que o tempo e a história foram consumindo.

Para alguns amigos dele, ele dizia que queria dar um tempo, afastar-se dela. Viver outras experiências, tentar sentir saudades. Alguns deles tentaram movê-lo desta ideia. Propuseram a ele que tentasse novamente o diálogo. Dissesse a ela seus problemas e dificuldades. Ele confirmou que já havia até tentado fazer isto anteriormente. Mas as obrigações e a rotina diária acabaram por matar o assunto.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A Igreja e a Juventude – parte 2

Em diversos documentos a Igreja se pronuncia sobre as questões da juventude. Vimos um pouco disto no último artigo. A proposta desta segunda parte é trabalhar a partir da lógica oferecida por Dom Eduardo Pinheiro quando falou deste tema durante o 9° Encontro Nacional da Pastoral da Juventude. E acrescentar a sua fala um último documento.

Durante o 9° ENPJ, realizado em 2009, Dom Eduardo Pinheiro, então bispo responsável pelo Setor Juventude da CNBB, apresentou uma palestra tratando a respeito dos jovens nos documentos da Igreja. Ele falou sobre os três dos mais recentes à época: As diretrizes da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2008-2010), o documento de Aparecida (V Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe) e o documento da CNBB sobre a Evangelização da Juventude.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Igreja e a Juventude – parte 1

Estamos às vésperas de uma nova Campanha da Fraternidade sobre Juventude. Isto já foi tema de artigo neste blog. E estamos também nas vésperas da primeira Jornada Mundial da Juventude por aqui. Os dois acontecimentos ocuparão o cenário eclesial no ano de 2013. É natural, portanto, que muitos pronunciamentos da Igreja nos últimos tempos sejam direcionados para a juventude. 

A proposta deste artigo é resgatar alguns dos pronunciamentos da Igreja sobre os jovens nos últimos 50 anos. Diz o documento 85 da CNBB sobre a evangelização da juventude que  “a Igreja Católica é uma das organizações que tem mais experiência acumulada e sistematizada no trabalho com a juventude. É importante resgatar essa experiência, estando atentos aos sinais dos tempos” (CNBB, Evangelização da Juventude – Doc. 85, n° 49).

Além de resgatar estes pronunciamentos, a proposta é apontar onde podem ser consultados. Como a pesquisa foi relativamente grande e muito material foi colhido, este artigo será dividido em duas partes. Vejamos a primeira delas.

domingo, 3 de abril de 2011

Você me daria a mão?

Para quem sempre acompanha este blog, segue uma “curiosidade”: poucos foram os artigos que eu escrevi que não tiveram a inspiração de uma pessoa, situação ou grupo. Alguns leram e logo se identificaram, outros sabiam que era deles os exemplos que eram dados, mais alguns ainda viveram ou ouviram dizer das situações ali relatadas. Pois bem, o texto de hoje não foge a esta regra. A exceção é que eu hoje eu vou apresentar a motivação por trás deste artigo.

Recebi esta semana um e-mail relatando que mais uma equipe diocesana de PJ neste país havia sido convidada a se desmanchar depois de algum tempo de caminhada. Vivi na pele estes mesmos sentimentos e sei o quanto é difícil este momento para os companheiros e companheiras de lá.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vida e morte do grupo


Igreja não é destino, já dizia um pároco que me acompanhou há algum tempo. Mal comparando é como se fosse um posto de gasolina. Ninguém vai para o posto para permanecer o tempo todo lá, a não ser os funcionários. Posto de gasolina é lugar de passagem, as pessoas abastecem seus veículos e vão para seus destinos. O combustível é essencial para o desenrolar da viagem, sem ele, os veículos não andam. Assim também é a nossa comunidade de fé. Não vamos para lá para ficar entre as quatro paredes. A evangelização do mundo acontece fora delas. Mas é importante que se celebre a fé. Isso nos anima a continuar e não nos deixa abater diante dos problemas que todos os dias aparecem”.

Este parágrafo é de um artigo deste blog que tratava da Igreja como fonte da espiritualidade pejoteira. As duas questões que trataremos hoje dizem respeito direta e indiretamente ao assunto deste exemplo: qual o espaço de sermos cristãos católicos e até quando o grupo deve existir?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Espiritualidade é o que dá a “liga” – parte 2

Pense num preconceito qualquer. Sabe como ele se difunde? Por repetição. E se uma pessoa com um pouco mais de influência sobre outras acaba propagando esta ideia, o preconceito se difunde mais. Quer um exemplo bem ligado ao tópico deste blog? “A PJ não tem espiritualidade”. Ô meu Deus, já perdi a conta de quantas vezes eu tive que contra-argumentar a respeito disto. E debati com gente que, inocentemente, repetia algo que havia ouvido, com gente esclarecida que simplesmente não havia ouvido um argumento contrário e com gente maldosa que espalhava o preconceito de propósito.

Gostariam de um exemplo da justificativa que alguns me davam para se manterem nesta opinião? “Quem é da PJ não gosta, não participa ou não vai nas missas”. O sujeito tira uma meia verdade particular e a transforma numa verdade universal. “Meia verdade, Rogério??? Particular? Como assim? Explique melhor”. Este é o assunto da 20ª pergunta, e com ela chegamos à metade da nossa série.

sábado, 22 de maio de 2010

PJ x Igreja ??

Essa semana eu estava planejando escrever sobre a metodologia da PJ, mas dois fatos me fizeram mudar o foco. O primeiro deles foi um livro que eu peguei para dar embasamento maior sobre o nosso método: "A Pastoral dá o que pensar" de Agenor Brighenti, sobre Teologia Pastoral. Muito bom mesmo. Os primeiros capítulos falam sobre os modelos eclesiais e modelos de ação que passaram pela história da Igreja. Não terminei de ler este livro ainda, mas ele só confirmou um pensamento que eu já vinha matutando. Existem dentro de nossas comunidades, paróquias e dioceses pessoas que ainda não compreenderam o sentido do Concílio Vaticano II de abertura da Igreja para o diálogo com a realidade do mundo extra eclesial. Ou pior, que o mundo seria perfeito se a sociedade toda fosse católica.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ser PJ: A Igreja se faz jovem!

  1. Entre tantas pastorais, qual o diferencial da PJ?
  2. Entre tantos movimentos na Igreja Católica que lidam com a juventude, por que ser da PJ?
  3. Num mundo que mata e fere a juventude, como a PJ pode contribuir entre tantos movimentos juvenis da sociedade civil?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Igreja - fonte de espiritualidade para a PJ

Não, este não será um tópico que ganhará unanimidade. Não quero falar de uma Igreja ideal, porque ela sendo formada por seres humanos tem suas falhas. Mas quero falar de uma Igreja como sinal de esperança de um mundo novo, pois ela existe para ser continuadora da missão de Jesus. E assim sendo precisa ser profética, anunciando a Sua Boa Nova e denunciando onde a vida não é levada a sério. A Igreja que é fonte da espiritualidade pejoteira, se fortalece com o testemunho dos santos e mártires, celebra a vida, evangeliza e se incultura e chama os jovens à missão. É mais do que Povo de Deus. É família de Deus, onde as pessoas se sentem acolhidas, em comunhão e tem espaço para participar. É de fato uma assembléia de fiéis que se compromete solidariamente, sendo despojada e optando pelos pobres. Sabe ser jovem com os jovens, é ministerial e celebra a vida no mistério de Cristo.

Pareceu uma Igreja ideal demais??