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domingo, 22 de setembro de 2013

Dez maneiras de fazer seu grupo fracassar

Como existe gente de todo tipo a frente dos nossos grupos de jovens, coordenações de pastoral e das instâncias mais diversas, creio que seja conveniente dar umas dicas para aquela turma que amanhece todos os dias com a intenção (ainda que não explícita) de acabar com o próprio grupo. Recebi estas dicas há muito tempo atrás de uma fonte fora da PJ e resolvi adaptá-las ao nosso universo pastoral. Não sei de quem foi a autoria original, mas eu agradeço esta pessoa agora e quero dividir esta minha adaptação com você.

Sim você meu amigo, minha amiga que tem o desejo não revelado, mas implicitamente praticado de ir minando aos poucos o seu grupo, eu tenho algo a lhe dizer: chega de sofrer. Seja uma pessoa esclarecida, aja com fundamentação teórica. Compreenda o que faz e por que faz. Estão aí. Dez dicas para que seu grupo não vá para frente.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Esse dia não é hoje

Filhos de Gondor! De Rohan! Meus irmãos. Vejo em seus olhos o mesmo medo que tomou meu coração. Poderá vir um dia em que a coragem dos Homens termine, quando deserdarmos os nossos amigos e trairmos os laços de amizade, mas este dia não é hoje. Uma hora de lobos e escudos despedaçados, quando a era do Homem for destruída, mas esse dia não é hoje! Hoje nós lutamos. Por tudo que amam nesta bela terra, eu peço que resistam, Homens do Ocidente!

O trecho acima é de uma das cenas do filme “O Retorno do Rei”, terceiro filme da trilogia de “O senhor dos anéis”. Diante da falta de coragem dos soldados perante um inimigo muito mais poderoso, Aragorn os convoca e os motiva para a luta. É um dos discursos mais bonitos do filme, em minha opinião.

Pensei nesta passagem quando ouvi notícias de desarticulações pastorais, desânimo de boas lideranças, dificuldades de toda ordem de grandeza, fossem elas financeira, de quadros, de apoio ou de outros recursos. Claro que não é fácil encarar uma dificuldade. Por mais que elas carreguem em si a marca da dureza ou do tropeço, também apresentam o lado da oportunidade.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Por que um grupo acaba?


Uma característica de quem tem bastante tempo de vida pastoral é que já viu muita coisa acontecer. Coisas bacanas e coisas tristes. A nossa tendência é achar que a morte de um grupo é algo triste. Nem sempre é. Existem as mortes naturais (já comentei delas aqui), mas também existem as mortes “matadas”. É a respeito destas últimas que eu gostaria de falar.

Um grupo morre antes do tempo por fatores internos, externos ou por ambos ao mesmo tempo. É importante que consigamos entender estes fatores para podermos agir antes, evitando assim um dano maior. Sim, dano. É sempre muito triste ver um grupo para o qual dedicamos tempo e vida acabar, seja ele um grupo de base, uma coordenação paroquial ou mesmo diocesana. E as consequências disso para a continuidade de um trabalho pastoral são sempre mais complicadas.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lucia e o fim da PJ


A coordenação da pastoral da juventude da paróquia de São Luiz Gonzaga era formada por quatro jovens. Lucia era coordenadora do grupo da comunidade São Francisco Xavier, Eduardo era catequista de crisma, Ricardo era do grupo de jovens da matriz e Maria estava à frente do grupo de jovens do coral. Sempre tiveram apoio do pároco para suas atividades. Movimentavam as outras pastorais, envolviam-se com os movimentos populares da região, lutavam por um espaço maior e reconhecimento dos jovens. Eram discípulos e missionários.

Lucia era a mais centrada entre os quatro. Era filha de Jorge e Carmem, casal articulador da Cáritas naquela diocese. Eduardo era o mais expansivo, alegre e divertido. Os pais pouco participavam da comunidade. Ricardo, por outro lado era o mais calado. Só morava com a mãe, Gisele, e nunca conhecera o pai. Ela era ministra do Batismo. Maria era uma graça, mas não se engane. De voz potente e afinada, seu humor era capaz de ir do mais tenro afago até às explosões galácticas. Melhor seria não pisar no pé desta moça.

Tudo parecia que ia muito bem. Contudo, houve uma mudança na diocese e o novo bispo resolveu trocar alguns padres de paróquia. E a São Luiz Gonzaga foi uma delas. Assumiu por lá um padre novo, recém-ordenado. E toda a aparente juventude do novo sacerdote inspirava novos ares para a paróquia. Todos imaginavam que os projetos iniciados seriam tocados com maior vigor e que novas ideias surgiriam tanto para a evangelização da paróquia, como para a integração da mesma com os movimentos populares da região.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Precisa acabar assim?


Há tempos ele já vinha percebendo que a relação não estava lá aquelas coisas. Ela exigia muito e ele sempre dando muito. Os momentos de satisfação que eles partilhavam eram cada vez em menor número. Ele sentia que estava vivendo um período de obrigações e não de entrega verdadeira.

Ela, por outro lado, era de fato bem exigente. Não era consumista, narcisista, egoísta ou qualquer outro “ista” que você possa imaginar. Seu lado exigente estava em querer atenção e dedicação. 

Eles tinham sonhos em comum quando a relação começou. Ela apontava um mundo novo, de possibilidades e de encantamentos. Ele tinha um vigor juvenil que o tempo e a história foram consumindo.

Para alguns amigos dele, ele dizia que queria dar um tempo, afastar-se dela. Viver outras experiências, tentar sentir saudades. Alguns deles tentaram movê-lo desta ideia. Propuseram a ele que tentasse novamente o diálogo. Dissesse a ela seus problemas e dificuldades. Ele confirmou que já havia até tentado fazer isto anteriormente. Mas as obrigações e a rotina diária acabaram por matar o assunto.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Fogo amigo

“Meu nome é Cristiano e tenho uma certa caminhada na Pastoral da Juventude. Participei por um longo período das instâncias e hoje milito numa ONG que atua na luta pelos direitos da juventude.

Digo que minha vida pessoal é profundamente marcada pelas opções que fiz durante minha passagem pela PJ. E por tudo isso eu sou muito grato. Posso afirmar que até hoje, no trabalho que desenvolvo, estas opções ainda são muito fortes. Contudo, nem tudo foram e nem são flores.

Há gente que você sabe previamente que serão opositores e tentarão de todas as formas, éticas ou não, atrapalhar seus projetos e propostas. Isto é previsível, esteja você no campo que estiver. Contudo, há de se estranhar quando o opositor está nas suas fileiras, quando é um companheiro ou companheira que atua pelas mesmas causas e que já comeu o mesmo pão murcho e tomou o mesmo suco que até hoje você não sabem qual deveria ser o sabor.

É a turma do fogo amigo. Quando você se dispõe a atuar pela vida da juventude, pela sua formação integral e pelo crescimento de sua consciência crítica, sabe que será metralhado por algumas pessoas ou grupos. Há grupos aliados que metralham de volta e alguns destes tiros acabam acertando você. E há nestes mesmos grupos, alguns que enxergam em você o inimigo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ei, larga o osso aí!

Existem algumas coisas que me deixam bem chateado na pastoral. Uma delas é ver um grupo que se deixa conduzir por uma coordenação ditatorial. Há muitos motivos para que a coordenação aja desta maneira: busca de status, influência, poder, sentir-se “querido” ou “necessário”. E há motivos para que o grupo aceite este tipo de coordenação: apoio, fortaleza, simples submissão, tentativa de aproximação para pegar as “migalhas do poder”.

Alguns destes “ditadores” não enxergam o mal que fazem. Não é nada pastoral impedir que o jovem possa decidir junto. Não é nada pastoral ficar só apontando os caminhos sem refletir juntos. Não desperta liderança. Desperta um bando de bajuladores e jovens apáticos.

Mas o que é ruim, pode piorar. Estas coordenações se julgam salvadoras da pátria e pretendem ficar no topo por muito e muito tempo. Mas há algo que elas não controlam: a idade. Não se é jovem para sempre. Mas mesmo ignorando a regra temporal, estas coordenações insistem em ficar. Adultos coordenando jovens. Isto é PJ? Cadê o protagonismo?

E você acha que chegamos no fundo do poço? Então lá vem o tiro de misericórdia: para justificar a permanência na condução do grupo, alguns destes coordenadores mudam de título. Viram assessores!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sete pecados capitais da assessoria

O assunto de hoje é ligado aos pecados da assessoria. Para tratarmos disto, vamos pensar um pouco nas palavras. Entender a origem delas ajuda inclusive a melhorar a percepção que temos do seu uso no cotidiano. Pela nossa formação cristã, entendemos pecado como tudo aquilo que nos afasta de Deus. Mas na origem da palavra “pecar” encontramos tropeçar, mancar. Então pecado é o tropeço, as mancadas que damos no caminho para o advento do Reino de Deus.

A tradição cristã aponta sete pecados capitais, ou principais, que materializam as formas de tropeço que podemos encontrar nesta caminhada. A idéia de hoje é apresentar como a ira, a inveja, a luxúria, a avareza, a gula, a preguiça e o orgulho aparecem dentro do ministério da assessoria, não no sentido de ficarmos apontando as mancadas desta ou daquela pessoa, mas para tentarmos crescer, aprendendo como os erros.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sete cuidados com as lideranças

Sim, este texto que você lê agora é direcionado. Quando eu o escrevi estava pensando em algumas pessoas específicas. Eram jovens lideranças que passaram e ainda passam pela minha vida pastoral e eu percebo que precisam cultivar alguns cuidados. Não que eu seja o dono da verdade ou o cara perfeito e que fica dizendo a todo tempo: “Sim, isto é certo! Não, não faça aquilo!”. Mas existem algumas percepções que o tempo dá e que gostaria de compartilha-las.

Você pode chamar estes itens que vou tratar de dicas. Eu prefiro o termo cuidado. E agrupei num total de sete cuidados. Gosto do significado que damos a alguns números e o “sete” é especial para mim. Não só para mim, como para toda a civilização em que vivemos. Basta ver como ele está esparramado por aí... Sete maravilhas do mundo, sete dias da semana, pintou o sete, sete cores do arco-íris, sete notas musicais e por aí vai... Então segue mais uma série para este número: os sete cuidados com a liderança jovem.

sábado, 14 de agosto de 2010

Vida em comunidade - parte 2

Você conhece aquela pessoa que reclamava tanto da própria comunidade (ou grupo, ou emprego, ou relacionamento) e achava que para resolver este problema deveria se afastar? Sim, conhece. E digo que muitas destas pessoas de fato se afastam. Mas isto não resolve seu problema, pois ela sente que ainda resta um vazio. Então procura preencher este vazio entrando numa nova comunidade (ou grupo, ou emprego ou relacionamento). No começo tudo é lindo, até que um dia começa a perceber que existem pequenos detalhes neste novo ambiente que a incomodam muito. Então os detalhes começam a ficar cada vez maiores e cada vez mais insuportáveis. E a pessoa passa a reclamar deste novo ambiente...

Onde está o problema? É fácil culpar a pessoa. Talvez o problema seja ela mesma. Talvez a maneira como ela cria expectativas sobre os ambientes e relações esteja errado. Talvez até as outras pessoas não saibam lidar com ela. O fato, na verdade, não é procurar culpados, porque este só foi um exemplo. O enrosco todo está no fato de que em qualquer sociedade há pontos de vista diferentes e isto leva a conflitos de interesses. O outro sempre é um desafio. É possível viver saudavelmente em grupos sem desanimar? Vamos a algumas idéias sobre isto nas duas perguntas a seguir. Boa leitura.

sábado, 22 de maio de 2010

PJ x Igreja ??

Essa semana eu estava planejando escrever sobre a metodologia da PJ, mas dois fatos me fizeram mudar o foco. O primeiro deles foi um livro que eu peguei para dar embasamento maior sobre o nosso método: "A Pastoral dá o que pensar" de Agenor Brighenti, sobre Teologia Pastoral. Muito bom mesmo. Os primeiros capítulos falam sobre os modelos eclesiais e modelos de ação que passaram pela história da Igreja. Não terminei de ler este livro ainda, mas ele só confirmou um pensamento que eu já vinha matutando. Existem dentro de nossas comunidades, paróquias e dioceses pessoas que ainda não compreenderam o sentido do Concílio Vaticano II de abertura da Igreja para o diálogo com a realidade do mundo extra eclesial. Ou pior, que o mundo seria perfeito se a sociedade toda fosse católica.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Dificuldades do jovem para cultivar a espiritualidade

Quando olhamos para a nossa sociedade, uma das grandes caracteríticas que podemos perceber é que estamos cercados por uma cultura do consumo. A propaganda liga produtos e coisas ao reconhecimento social das pessoas. É o tal do Ter para Ser. Por isso, os objetos que usamos ou consumimos deixam de ser meros objetos para se tornarem um cartaz que carregamos e que diz que tipo de pessoas somos ou gostaríamos de ser. Este ambiente materialista é um primeiro obstáculo à vivência da espiritualidade, pois tudo se torna aparência e se reduz tudo à mercadoria.