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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Por uma PJ mais utópica

Há palavras e termos que utilizamos constantemente no meio pastoral. Civilização do amor, espiritualidade libertadora, projeto de vida, planejamento, processo, solidariedade, utopia entre tantas outras. O uso constante de um termo ou expressão, com o tempo, permite que aumente o risco de virar um chavão sem o peso do sentido original que lhe foi dado.

Veja “Utopia”. Por que usamos esta palavra? Por que ela nos é cara e importante? Entre tantas utopias e distopias, para onde escolhemos caminhar? E você? Tem ideia do que afirma quando fala em utopia ou  horizonte utópico?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Será que eu sou pejoteiro?

O que te faz pejoteiro? Que marca é essa que você identificou em sua jornada e que lhe fez abraçar com alegria ser aquilo que você é? Eu estava falando outro dia com uma pejoteira sobre as opções que fazemos em nossa vida, sobre aquilo que nos identifica e das quais não abrimos mão.

Também conversei na semana passada com uma outra pessoa sobre as mudanças que fazemos, as concessões que abrimos, para ser deste ou daquele grupo, para podermos ser aceitos ou para que esta ou aquela ideia seja aprovada. Até onde vai nossa negociação, sem que a gente corra o risco de se corromper, de vestir máscaras ou de perder a própria identidade?

Tenho comigo algumas impressões sobre o que nos faz sermos pejoteiros. Fatores e opções que nos marcam, sejamos nós do grupo de base, da coordenação, da assessoria ou de quaisquer outras estruturas e serviços. Partilho com você que lê este texto apenas 12 destas características identitárias. E coloco em link no título alguns dos textos que já escrevi aqui que podem ajudar a aprofundar a ideia.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sobre identidade e identificação

Colega me perguntou o que é “pejotando”. Ele chegou no blog por conta do meu perfil em rede social. Eu respondi que tem a ver com a PJ, com a Pastoral da Juventude e que são publicações feitas para este público. Ele é participante comum das missas então o que eu falei para ele não era de todo estranho. 

De uma maneira geral, para a maioria das pessoas, quando se fala em pastoral se fala de um grupo de pessoas que faz um determinado serviço na igreja, e no nosso caso específico, com a Juventude. E o “pejotar” no gerúndio daria a impressão de um processo contínuo dentro desse serviço.

Há um pouco de verdade nesta explicação, por isso é preciso iluminar alguns conceitos. Quem dera pudéssemos fazer esse exercício para outros tantos casos que geram controvérsia. Mas enfim, é preciso jogar um pouco de luz sobre o que seja Pastoral da Juventude, para poder entender o que é este blog.

sábado, 6 de junho de 2015

Por uma PJ sempre fiel

Nosso amigo pejoteiro se casou. Era uma tarde de sábado quando saímos de casa até a cidade dele. Chegamos lá, na boca da noite. Muitos amigos de pastoral também estavam lá. A noiva era também uma figura especial. Passamos a gostar e querer bem a ela, não só pelo envolvimento afetivo com nosso amigo e conosco, mas pelo seu testemunho da presença atuante.

Uma das frases mais impactantes numa cerimônia de casamento católico é o “Eu, te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te, todos os dias de minha vida”. O que isso significa? Podemos fazer uma ligação dela com a nossa Pastoral da Juventude?

quarta-feira, 5 de março de 2014

Beijinho no ombro

Historicamente, por aquilo que vi, ouvi e li, a PJ já teve momentos áureos, mas poucos foram duradouros. Nesta ou naquela localidade faz um trabalho bem feito, mas hoje, muito mais do que antes, não tem um papel hegemônico na evangelização da juventude. Isto é triste?

Não. Não é. A hegemonia não é boa para ninguém. Sei que alguns colegas podem achar que ter o trabalho reconhecido e ser uma referência pastoral seria uma boa, dado que seu cotidiano é de lutas, machucados e cansaços. 

Não é fácil tomar pancada todo dia. Não é fácil organizar a juventude e promover encontros e formações onde aparecem sempre os mesmos ou cada vez menos deles. Não é fácil ir pedir ajuda ao pároco e ouvir dele que há tempos não juntamos mais do que 12 jovens e que por isso ele vai dar um apoio maior ao movimento A, B ou C.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sobre questões linguísticas e de interpretação

Já participei de muitas formações a respeito da Pastoral da Juventude. Muitas delas eu ajudei a preparar. Talvez tenha sido um erro da minha parte, mas eu sempre apostei que as obviedades não precisariam estar na pauta dos temas.

Dou um exemplo. Havia uma apresentação muito comum (ainda há quem a faça) de diferenciar Pastoral DA Juventude de uma tal Pastoral DE Juventude. Fora os malabarismos gramáticos e morfológicos, eu aprendi que a essência desta discussão não estava no uso ou não do artigo A junto com a preposição DE, mas sim no Protagonismo Juvenil.

domingo, 22 de setembro de 2013

Dez maneiras de fazer seu grupo fracassar

Como existe gente de todo tipo a frente dos nossos grupos de jovens, coordenações de pastoral e das instâncias mais diversas, creio que seja conveniente dar umas dicas para aquela turma que amanhece todos os dias com a intenção (ainda que não explícita) de acabar com o próprio grupo. Recebi estas dicas há muito tempo atrás de uma fonte fora da PJ e resolvi adaptá-las ao nosso universo pastoral. Não sei de quem foi a autoria original, mas eu agradeço esta pessoa agora e quero dividir esta minha adaptação com você.

Sim você meu amigo, minha amiga que tem o desejo não revelado, mas implicitamente praticado de ir minando aos poucos o seu grupo, eu tenho algo a lhe dizer: chega de sofrer. Seja uma pessoa esclarecida, aja com fundamentação teórica. Compreenda o que faz e por que faz. Estão aí. Dez dicas para que seu grupo não vá para frente.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Por uma PJ mais libertadora

Escrevo este texto dentro do clima das manifestações que tomaram conta do país pautando a questão do transporte público e a mobilidade urbana, mas que ampliou o leque e também tratou de violência policial, educação, corrupção, gastos públicos e o direito à livre manifestação. Muitos jovens foram para a rua num volume muito maior do que aquilo que me recordo de que tenha sido o movimento dos “cara-pintadas”, antes da queda do ex-presidente Fernando Collor.

Sim, havia muitos pejoteiros nestas manifestações. E gosto muito de ouvi-los falar e de ler as contribuições a respeito da pauta deste movimento todo. Está claro para mim que para muitos destes que se engajam nas lutas pela vida plena da juventude a ideia de uma PJ mais libertadora é algo coerente e vivido no dia-a-dia. Mas e para tantos outros? O que significa esta expressão que dá título ao texto de hoje?

terça-feira, 7 de maio de 2013

Por que um grupo acaba?


Uma característica de quem tem bastante tempo de vida pastoral é que já viu muita coisa acontecer. Coisas bacanas e coisas tristes. A nossa tendência é achar que a morte de um grupo é algo triste. Nem sempre é. Existem as mortes naturais (já comentei delas aqui), mas também existem as mortes “matadas”. É a respeito destas últimas que eu gostaria de falar.

Um grupo morre antes do tempo por fatores internos, externos ou por ambos ao mesmo tempo. É importante que consigamos entender estes fatores para podermos agir antes, evitando assim um dano maior. Sim, dano. É sempre muito triste ver um grupo para o qual dedicamos tempo e vida acabar, seja ele um grupo de base, uma coordenação paroquial ou mesmo diocesana. E as consequências disso para a continuidade de um trabalho pastoral são sempre mais complicadas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Por uma pastoral menos medíocre


Para quem não assiste ao reality show Big Brother Brasil, vou contar uma coisa. Há uma prova feita entre os participantes que já aconteceu em várias edições. Eles são colocados de frente a uma bancada, sem comunicação com os demais e tendo diante de si duas placas: uma com a palavra SIM e outra com a palavra NÃO. O apresentador faz algumas afirmações e eles devem responder não como pensam, mas como acham que a maioria dos participantes irá responder. A cada rodada, sai da brincadeira quem responde com a minoria.

Você acha absurdo? Acha que é um reforço a um comportamento social que pouco contribui para a dinâmica e o diálogo social ou para a livre circulação do pensamento? Acha que SIM? Levantou a plaquinha? Caso tenha levantado, então está eliminado da brincadeira.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A PJ por ela mesma

Um dia, perguntaram para a Dona Pastoral da Juventude quem ela era. Ela respondeu que não era uma, eram várias em uma só. Vários lugares, várias juventudes. Disse que estava aqui, que estava lá, que estava em todo e qualquer lugar. Os jovens e as jovens insistiram. Quem é você? O que a motiva? Era tarde para a noite. Corria o ano de 1996. Nas terras calorosas de Minas Gerais, na cidade de Divinópolis, a PJ assim se pronunciou.

“Somos Pastoral da Juventude organizada dentro da Igreja Católica, no Brasil, com linha e metodologia própria, aberta ao novo acolhimento dos anseios da juventude, garantindo o seu protoganismo, evangelizando de forma inculturada na realidade em que vivemos.”

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O caminho da vaca


Uma jovem senhora, numa palestra que eu fui, disse certa vez que a PJ não apresenta novidade nenhuma para os jovens. Afirmou que nossas práticas e discursos são os mesmos há 30 ou 40 anos. E que a PJ, suas coordenações e lideranças precisavam ser recauchutados. 

Creio que a maioria dos leitores deste blog não iria concordar com essa jovem senhora. Claro que cada um fala do ponto de vista de sua própria história. E o olhar dela não é nada positivo ou otimista. Mas ela está totalmente certa ou errada? Vamos analisar a fala dela parte por parte para começar.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O que você faz com a sua esperança?

Venho refletindo nos últimos dias sobre a realidade das nossas juventudes dentro e fora do ambiente eclesial. Alguns têm um olhar pessimista, de desânimo e descrédito. Para estes, eu lhes digo que participar das atividades da Pastoral da Juventude, quando podemos partilhar da nossa realidade, dificuldades e sonhos, só fortalece nossa esperança.
 
É fato conhecido que em muitas localidades a realidade não é favorável à proposta de formação integral da PJ, que em algumas dioceses e paróquias nossa pastoral é solenemente ignorada ou é impedida de articular as forças juvenis em razão de outras opções pastorais. E que fora dos ambientes eclesiais muitos jovens pobres estão sendo exterminados. Como ter esperança a partir destas realidades?
 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Lembranças do Encontro Nacional de Assessores

Era tarde de domingo. Sentado no banco do ônibus, cabeça encostada na janela, acabou sendo tomado pelo cansaço. O corpo de fato pedia o descanso, mas os danados dos pensamentos estavam a mil. O cérebro então, com seu alto poder de controle, resolve de vez com o dilema. Ele entrou num estado de relaxamento. Os olhos se fecharam, a cabeça repousou, os pés se acomodaram e ele dormiu. Os pensamentos, no entanto, se tornaram lembranças. E enquanto seu corpo viajava pela Dutra de volta para São Paulo, seus sonhos o carregavam novamente para o Rio de Janeiro para poder revisar tudo o que  viveu neste Encontro Nacional de Assessores.

Era a primeira vez que visitava a cidade Maravilhosa. Pelo vidro do taxi ele observava casas, o comércio, as pessoas. Tudo ali era tão similar a São Paulo, mas, estranhamente, tão diverso da sua realidade. Rodopiou entre ruas estreitas, com trilhos de bonde acompanhando os paralelepípedos. Morros, muitos morros. O taxista se perdeu e se achou. Eram ruas íngremes, ladeiras cansativas, escadarias por vários lados. E subia, subia, subia.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Meu delírio é a experiência com coisas reais

Tomo a liberdade de nomear este artigo com um dos versos da canção “Alucinação” do Belchior. Escrevo ainda sob a emoção de um encontro de formação que participei recentemente e que por todas as circunstâncias que giraram em torno dele acabaram reafirmando em mim o desejo de continuar a “amar e mudar as coisas”.

Nada, nada supera o encontro pessoal. Mesmo neste momento em que vivemos em que tantas relações se tornam virtuais. Não, não sou um saudosista dos tempos em que a comunicação instantânea era coisa de ficção. Sei que a tecnologia facilitou e muito a possibilidade do conhecimento se alastrar. Se você estiver lendo este texto agora, essa é mais uma prova de que isto é verdade. A questão é encarar este como um instrumento a mais e não exclusivo.

Mas voltando ao assunto, nada, nada supera o encontro pessoal. Sim, a virtualidade aproxima pessoas distantes fisicamente. E claro que isto é bom. Mas esta mesma virtualidade não supera o contato de um abraço pejoteiro. Este abraço é daqueles fortes em que você sente o calor, a respiração e a emoção da outra pessoa.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Uma só força, um só pensamento, um só coração

Dois homens suspeitos foram presos pela polícia. Havia a desconfiança de que eles teriam participado de um crime maior. Ninguém ainda havia descoberto as provas necessárias para condenar ninguém. Somente uma confissão dos participantes poderia levar alguém à prisão.

Os policiais tiveram uma ideia. Separaram os presos um do outros e para ambos foi oferecido o mesmo acordo. Se o prisioneiro acusar o outro suspeito e este, quando for interrogado, permanecer em silêncio, o primeiro sai livre e o outro é condenado a dez anos de prisão. Se ambos permanecerem não disserem nada, a polícia só pode condená-los a seis meses cada um. Contudo, se o primeiro permanecer em silêncio e o segundo acusá-lo, a situação se inverte e o primeiro é que ficará preso por 10 anos. Se os dois se acusarem mutuamente, cada um ficará preso por cinco anos.

Cada prisioneiro deve tomar a sua decisão sem saber qual a decisão o outro vai tomar. Nenhum dos dois tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir? Como você reagiria?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

É hora de botar a CF 2013 na rua

Depois de 21 anos, a Igreja no Brasil traz de volta a reflexão do tema “juventude” em 2013 durante a Campanha da Fraternidade (CF). Vivi intensamente o ano de 1991, preparando a CF do ano seguinte. Tenho em meu coração um espaço de saudade daqueles anos. Eu havia conhecido a PJ em 1989. Tínhamos na paróquia uma assessoria efetiva e afetiva dos salesianos e salesianas. E pudemos ir preparando o terreno para uma boa organização paroquial da PJ por lá.

Olho para o cartaz da CF 92 e muitas recordações vem em minha mente. Uma delas é de que, pela primeira vez, eu ouvia falar de juventude na Igreja como um elemento renovador. Era “o novo”, falávamos e líamos nos documentos. Os cantos litúrgicos e de animação tocavam neste ponto.Tantas iniciativas. Tantos cursos. Tantas palestras. Tantos festivais. Tantos shows. Teve até escola de Samba falando no tema! Era o ano da juventude. Foi um despertar!

Pois então, vinte e um anos depois, nós estamos novamente às vésperas de outro “ano da juventude”. 2013 chega anunciando nova CF sobre juventude e pela primeira vez a Jornada Mundial da Juventude acontecendo no Brasil. Aqui nas terras paulistas, também estaremos celebrando 40 anos de organização pejoteira. É um ano bonito e cheio de desafios.

domingo, 17 de junho de 2012

Sobre a manipulação na PJ

Este artigo é uma continuidade do texto “Detonando com a assessoria”, publicação que teve sua inspiração nas discussões ocorridas no III Encontro Regional da Pastoral da Juventude do Estado de São Paulo. Da mesma forma que o texto anterior, vou procurar destacar as partes do material original e fazer uma análise a partir deles.

O texto anterior falava sobre a assessoria. Este analisa as etapas iniciais dos grupos de jovens e o trabalho com as lideranças pastorais. É importante que saibamos o porquê das nossas opções pastorais, não só para um enriquecimento do saber intelectual, mas para termos clareza do que fazemos e para termos como contribuir para o crescimento dos jovens que caminham conosco. Diz o texto original:

E é por conta desta arte do convencimento que a PJ opta pelos pequenos grupos e tem pavor dos grandes grupos. Pequenos grupos são mais fáceis de serem organizados, moldados e manipulados. Desculpe-me se eu assusto você com esta terminologia, mas essa é a verdade. Na massa, o jovem pode ir na onda, mas não existe a certeza se ele está realmente convencido. Nos grupos pequenos isso é mais fácil.

sábado, 26 de maio de 2012

A Legião Urbana e a minha história de PJ

Fui adolescente nos anos de 1980 e jovem nos anos de 1990. Quase nesta virada de décadas eu conheci a Pastoral da Juventude. Foi neste mesmo período que eu entrei no que hoje se chama ensino médio. E foi na confraternização de fim de ano da minha sala que eu ganhei a minha primeira fita cassete (pronuncia-se K7) da Legião Urbana. Não sabe o que é uma fita cassete? Clique aqui e veja. Não sabe o que é a Legião Urbana? Veja aqui  e depois volte para este artigo.

Creio que seja bem provável que, caso você não saiba quem é a Legião Urbana, ao menos já tenha ouvido alguma de suas músicas. Muitas delas rolam em nossos encontros pastorais (Pais e filhos, Que país é esse, Índios, Será, Perfeição, por exemplo). Renato Russo, o vocalista e principal letrista do grupo, foi um referencial para boa parte da minha geração. Suas composições falavam e pareciam escritas para nossas angústias e situações adolescentes e juvenis.

Desde esta primeira fita cassete, eu passei a acompanhar de perto a carreira da Legião. Todo disco a ser lançado era de uma espera ansiosa. Todas as faixas eram ouvidas e decoradas. Os discos e fitas anteriores eram compartilhados entre os amigos. E as letras eram interpretadas a nosso bel prazer. Umas eram mais diretas (E há tempos são os jovens que adoecem. E há tempos o encanto está ausente...), enquanto outras davam linha a diversas interpretações (Vamos deixar as janelas abertas, deixar o equilíbrio ir embora...).

terça-feira, 15 de maio de 2012

E nosso coração ardia...


Era por volta das três da tarde. Camila subia a ladeira em direção a praça da matriz. Quando estava quase lá, ela encontra Daniel, parado em frente à banca de jornal tentando se atualizar das últimas notícias através das manchetes do dia anterior. Ela veio por trás dele e o abraçou. Já haviam se passado três meses que eles não se viam, mas o reencontro foi como se tivessem se esbarrado ontem.

O que fora um misto de alegria e surpresa pelo reencontro, foi dando lugar ao desencanto e a melancolia. Há três meses eles haviam dado fim a uma experiência que havia se arrastado por outros tantos 10 meses. Camila e Daniel nunca foram namorados. Eles eram coordenadores do grupo de jovens da matriz.

Muitas perguntas marcavam a conversa deles. “Será que valeu todo empenho, esforço, dedicação, dias e noites em preocupação para que o grupo desse certo?”, “Por que o grupo fracassou?”, “De quem é a culpa?”, “Por que não despertamos neles o gosto para ir além?”.