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sexta-feira, 12 de março de 2021

A Beleza da Estrutura

 Diz um antigo conto que uma mulher sábia veio de longe pela estrada e notou que haviam três homens numa construção, todos executando exatamente a mesma tarefa. Chegando mais próxima, ela reparou que as expressões em seus rostos eram distintas e isso lhe chamou muito a atenção. Então ela se aproximou de cada um deles oferecendo água e perguntando o que estavam fazendo ali.

Rispidamente o primeiro disse: “Estou assentando estes malditos tijolos, não está vendo? Que pergunta mais estúpida”. E não aceitou a água oferecida pela mulher. Notadamente ele não estava bem, pensou ela, ou então não gostava daquilo que estava fazendo. As circunstâncias o tornaram amargo.

O segundo homem parou o que estava fazendo, apoiou-se mais firmemente sobre uma das pernas, enxugou o suor do rosto com um velho pano e agradeceu a água. “Estou construindo uma parede, mas não estou nem na metade. Repare o tanto que já fiz e o tanto que ainda falta. É uma senhora parede. Há muito ainda por fazer, com licença, mas ganho por produção e o patrão é severo”, Seu olhar estava distante, era um homem cansado e sobrecarregado.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A infraestrutura da Assembleia

Quando vamos pensar na preparação de uma assembleia, o local e a maneira como nos organizamos para receber as pessoas tem um peso muito grande. É o que chamamos de infraestrutura, ou só de infra. A metodologia pode ser fantástica, mas sem o devido cuidado com esse aspecto, falhas serão inevitáveis e a avaliação final tende a não ser tão boa.

Há quem tenha opção de escolher entre vários locais para que a assembleia da PJ possa ocorrer. Se este é o seu caso, peço que reveja o primeiro texto dessa série e responda com sinceridade a partir da sua realidade: quantas vagas são realmente necessárias para que a assembleia atinja seus objetivos? 

Dependendo da proposta, quanto mais gente melhor, mas isto implica em custos com mais recursos (financeiros, humanos, materiais), o que requer um planejamento maior ou uma adequação mais realista. Isso significa que é a casa que deve se enquadrar no sonho da assembleia e não o contrário, como já vi em algumas ocasiões.

domingo, 18 de novembro de 2012

O peso da estrutura

Não são poucas as pessoas que chegam para falar comigo sobre as questões da PJ. Conhecidas ou não, daqui da minha realidade ou não, iniciantes, militantes, assessores, coordenadores, afastados, contrariados, religiosos, consagrados, homens ou mulheres, todo tipo de gente vem falar comigo.

Há um tema recorrente entre estas várias fontes: nossa organização. Para mim, isto acaba indicando uma demanda reprimida e uma necessidade real de se conversar sobre o assunto. Enfim, queria partilhar da mesma perguntar com vocês: a nossa organização pastoral é um peso?

Se alguém lhe diz que a organização da PJ é uma superestrutura, carregada demais, com instâncias, coordenações demais, hierarquias demais, como você responderia?

E, se uma jovem lhe pergunta como deve agir quando é convidada a assumir um serviço pastoral na diocese e tem que se afastar da sua jornada semanal junto ao seu grupo de base, qual seria sua orientação?

E quando um militante se mostra desiludido com os novos líderes que estão nas atuais coordenações de sua região dizendo que estes só buscam status e mordomias, o que dizer disto?

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Lembranças do Encontro Nacional de Assessores

Era tarde de domingo. Sentado no banco do ônibus, cabeça encostada na janela, acabou sendo tomado pelo cansaço. O corpo de fato pedia o descanso, mas os danados dos pensamentos estavam a mil. O cérebro então, com seu alto poder de controle, resolve de vez com o dilema. Ele entrou num estado de relaxamento. Os olhos se fecharam, a cabeça repousou, os pés se acomodaram e ele dormiu. Os pensamentos, no entanto, se tornaram lembranças. E enquanto seu corpo viajava pela Dutra de volta para São Paulo, seus sonhos o carregavam novamente para o Rio de Janeiro para poder revisar tudo o que  viveu neste Encontro Nacional de Assessores.

Era a primeira vez que visitava a cidade Maravilhosa. Pelo vidro do taxi ele observava casas, o comércio, as pessoas. Tudo ali era tão similar a São Paulo, mas, estranhamente, tão diverso da sua realidade. Rodopiou entre ruas estreitas, com trilhos de bonde acompanhando os paralelepípedos. Morros, muitos morros. O taxista se perdeu e se achou. Eram ruas íngremes, ladeiras cansativas, escadarias por vários lados. E subia, subia, subia.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vamos conversar sobre nossa organização?

Quantos de vocês não olham para suas realidades e pensam: “Isso aqui poderia estar um pouco mais organizado...”. Sim, é possível que este pensamento já tenha passado pela cabeça de vocês. Contudo, quantos já colocaram o dedo na ferida (não para ser um sádico cruel, mas com o cuidado de quem quer limpar e tratar para melhorar)? Quantos já arregaçaram as mangas e colocaram a mão na massa? Quantos já pararam para se planejar de forma mais eficiente, eficaz e efetiva?

Quer um exemplo? Ano que vem a Campanha da Fraternidade é sobre juventude. O que você e o seu grupo (seja na comunidade, paróquia, setor, forania, região, diocese ou sub região) tem feito a respeito? Meu caro, minha querida, este é um momento único e privilegiado! Não podemos nos contentar a fazer uma Campanha meia boca por alguns dias da quaresma e ponto final. É preciso pensar na vida da juventude e ajudar as nossas comunidades a refletir sobre isso também. É preciso falar de culturas juvenis, abrir as portas das nossas igrejas para um diálogo franco com elas. É preciso denunciar todo sistema de morte que cerca e ronda a juventude. É preciso buscar e expor os porquês dos jovens serem vítimas e agentes da violência. É preciso escancarar e deixar claro e nítido porque a proposta de Jesus é uma boa nova para os jovens também. É necessário mostrar porque nos apaixonamos por esta causa e porque somos pejoteiros.

Vocês já conversaram sobre isso?

domingo, 1 de janeiro de 2012

Tem cheiro de PJ no ar

Janeiro de 2012 ficará marcado pela realização do 10° Encontro Nacional da Pastoral da Juventude. Pela primeira vez na região Sul do país, a cidade escolhida para acolher os jovens pejoteiros é Maringá, no Paraná, entre os dias 8 e 15.

Números redondos chamam a atenção. O fato de este ser o décimo encontro nacional, portanto, é algo marcante. Desde 1998, no quinto encontro nacional, priorizou-se a representação diocesana nestes eventos. Portanto, desde lá, sempre houve uma ou duas vagas para cada diocese brasileira.

É uma oportunidade única para que tantas lideranças diocesanas, envolvidas na condução das atividades pastorais possam trocar experiências, conhecer outras possibilidades de trabalhos e voltar revigorados com as discussões, vivências e contatos que só um encontro deste porte pode proporcionar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Qualquer caminho serve?



É fato sabido por mim que muita gente do Brasil (e no exterior também) lê o que se publica neste blog. Eu tento ser o mais abrangente possível naquilo que se discute por aqui para que tanto o jovem do Sul, quanto do Centro-Oeste ou do Norte possam se sentir contemplados. 

E creio que não seja surpresa também que, por vezes, eu deixe transparecer aqui a minha origem paulista e algumas das experiências no IPJ, na diocese de São Miguel, na paróquia de Santa Luzia ou na convivência com os salesianos. Falo daqui das minhas raízes, mas sabe lá onde os meus galhos e ramos vão alcançar...

Seguindo esta linha, a proposta deste texto é partilhar com você uma discussão que tivemos na Coordenação Regional da Pastoral da Juventude do Sul 1 (estado de SP). Apontou bons caminhos para nós e espero que sirva para a realidade em que você vive, seja no grupo, na paróquia, na diocese, na congregação, no movimento, no oratório, na região ou para própria formação.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Estatísticas pejoteiras

Uma coisa que eu aprendi no curso de jornalismo e que a PJ me ajudou a entender melhor foi a importância das estatísticas. Elas servem para dizer um monte de coisas, sejam verdades, meias verdades, ou mesmo mentiras. Isso se dá porque os números tendem a impressionar, ainda mais se estiverem acompanhados de gráficos bonitos e textos bem escritos. Mas é importante observar o que está nas entrelinhas e nas possíveis intenções de quem escreve e de quem publica.

Por que digo isso? Porque muitas vezes nem temos dimensão do que alguns valores querem dizer. Por exemplo, dizem que a minha diocese tem mais de três milhões de habitantes. O que significa três milhões de pessoas? Você consegue quantificar isso? Consegue enxergar um povaréu deste tamanho? É muita gente! Ainda mais numa diocese pequenina territorialmente como é São Miguel Paulista. E eu acho que vou demorar muitos e muitos anos pra ter convivido ou conhecido três milhões de pessoas, se é que isso seja possível.

Números soltos, portanto, impressionam. Mas estamos falando aqui de estatísticas. E elas podem ajudar bastante nosso trabalho pastoral. Basta entender as entrelinhas, como já disse. Veja só: Você sabe hoje quantos grupos de Pastoral da Juventude existem em sua diocese? E quantos jovens são ligados a estes grupos? Saberia dizer qual o impacto que os grupos de PJ tem sobre a realidade juvenil da sua região?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O segredo do sucesso das organizações

Em tempos de auto-ajuda empresarial, onde qualquer dica simples vira “o desvendar do mito” que pode “render milhões”, foi provocativo e intencional colocar um título como este neste artigo. Que bobagem! Ao final da leitura, qualquer texto publicado na internet deixaria de ser segredo. A intenção era ser um título atrativo.

A palavra “segredo”, por conta disto, possui a sua magia. Quem coloca um título com esta palavra, disseram-me os entendidos em textos de internet, atrai muito mais visitas. Não duvido disso não. Aliás, até creio que eles estejam com a razão. Este é um teste!

Mas como um texto não se faz somente com o título, é preciso que tenha algum conteúdo também! E não pode ser um conteúdo mentiroso ou enganador. Se eu quero partilhar um “segredo de sucesso”, tem de ser algo valha a pena o sacrifício da leitura.

E é um segredo simples, uma dica até meio óbvia, mas que os compromissos e atividades cotidianas por vezes nos fazem esquecer ou deixar para trás. E olhando para nossa atividade pastoral, sinto que em alguns casos este segredo não chega a ser secreto. É apenas esquecido ou engolido pelas tarefas e estruturas que temos e pelas que são criadas.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Identidade e articulação

É fato conhecido que um grupo de jovens sozinho não é Pastoral da Juventude. “Como não??? A base da PJ são os grupos!!”, pode questionar um leitor. A este leitor eu peço que releia a frase. Um grupo de jovens SOZINHO não é Pastoral da Juventude.

Se ainda assim, meu caro amigo não entender a mensagem, explico de um jeito diferente. Pastoral se dá na articulação, da mesma forma que uma pessoa sozinha não é comunidade e até para rezar do jeito cristão é necessário que existam pelo menos duas pessoas (Mateus 18,20).

Espere aí! Meu grupo está numa região onde não existe mais Pastoral da Juventude. Nós nos identificamos com a proposta. Então não somos PJ?”.

domingo, 3 de abril de 2011

Você me daria a mão?

Para quem sempre acompanha este blog, segue uma “curiosidade”: poucos foram os artigos que eu escrevi que não tiveram a inspiração de uma pessoa, situação ou grupo. Alguns leram e logo se identificaram, outros sabiam que era deles os exemplos que eram dados, mais alguns ainda viveram ou ouviram dizer das situações ali relatadas. Pois bem, o texto de hoje não foge a esta regra. A exceção é que eu hoje eu vou apresentar a motivação por trás deste artigo.

Recebi esta semana um e-mail relatando que mais uma equipe diocesana de PJ neste país havia sido convidada a se desmanchar depois de algum tempo de caminhada. Vivi na pele estes mesmos sentimentos e sei o quanto é difícil este momento para os companheiros e companheiras de lá.

domingo, 26 de setembro de 2010

A PJ e a Ampliada Nacional

Nas últimas semanas vínhamos falando sobre questões que envolvem os grupos de jovens e como a Pastoral da Juventude vê e trabalha estas questões. Hoje eu quero abrir uma brecha neste nosso tópico para falar um pouco sobre encontro histórico que vai acontecer no ano que vem e que vai dar novos rumos na caminhada da PJ. Se você é participante de grupo de jovens, membro de uma equipe diocesana da PJ, assessor, militante pastoral ou padre, pode contribuir para que este processo tenha o rosto da sua realidade e um pouco da sua experiência. Não vamos perder o trem da história. O momento é agora!