Eu tenho bem clara a lembrança da votação do impeachment da Dilma. Lembro-me de deputados falando ao vivo nos canais abertos de televisão em cenas que poderiam ser cômicas se não fossem grotescas. Lembro-me ainda discursos que eram coerentes em relação a uma característica própria. Muitos repetiram que votavam em nome dos eleitores de seus estados.
Uma das tarefas de um deputado é justamente essa, falar em nome dos eleitores. Impossível falar em nome de todos, por isso, teoricamente, são eleitos vários deputados. O universo macro de todo o Brasil deveria estar ali, naquele microuniverso que se chama Câmara dos Deputados. Sabemos que esta representatividade está longe, porém.
Se olharmos sob qualquer parâmetro, a comparação estará desigual. Mulheres são pouco mais da metade da população brasileira e representam menos de 10% do total de toda Câmara. O mesmo vale para os negros. Profissões, religiões, nível de escolaridade, idade, nada disso está nem próximo à realidade. Mas eles falam por nós.
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sábado, 23 de setembro de 2017
Você fala por quem?
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Precisamos falar sobre o Cunha
tão conturbada e difícil de explicar que pode ser que quando você leia estas linhas, tudo pode ser novidade ou tudo pode ser jornal de ontem. Estamos vivendo esta época de extremos.
Então, o Cunha. Sim. Há alguns dias atrás, semanas, na verdade, ele era o todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados. Não conheço ninguém que o defendesse com sinceridade. Ele era o tipo que tinha o poder e era respeitado por alguns por este motivo. Outros se tornavam aliados pelo interesse em combater um inimigo comum. Alianças de ocasião, entendem?
Se ninguém o defende abertamente e com sinceridade na Câmara (ele está afastado do mandato de deputado e impedido de entrar na casa que presidiu), por que ele foi parar lá? Pipocam em todo canto denúncias contra ele, que vão de contas no exterior a desvios desde décadas passadas. Como ele foi parar lá? Como alguém conseguiu a quinta maior votação no seu estado de origem em 2010 e passou a ser o terceiro deputado mais votado em 2014 no mesmo estado?
domingo, 18 de novembro de 2012
O peso da estrutura
Não são poucas as pessoas que chegam para falar comigo sobre as questões da PJ. Conhecidas ou não, daqui da minha realidade ou não, iniciantes, militantes, assessores, coordenadores, afastados, contrariados, religiosos, consagrados, homens ou mulheres, todo tipo de gente vem falar comigo.
Há um tema recorrente entre estas várias fontes: nossa organização. Para mim, isto acaba indicando uma demanda reprimida e uma necessidade real de se conversar sobre o assunto. Enfim, queria partilhar da mesma perguntar com vocês: a nossa organização pastoral é um peso?
Se alguém lhe diz que a organização da PJ é uma superestrutura, carregada demais, com instâncias, coordenações demais, hierarquias demais, como você responderia?
E, se uma jovem lhe pergunta como deve agir quando é convidada a assumir um serviço pastoral na diocese e tem que se afastar da sua jornada semanal junto ao seu grupo de base, qual seria sua orientação?
E quando um militante se mostra desiludido com os novos líderes que estão nas atuais coordenações de sua região dizendo que estes só buscam status e mordomias, o que dizer disto?
terça-feira, 24 de julho de 2012
Dez conselhos para uma coordenadora diocesana da PJ
Ela faz parte da coordenação de uma PJ diocesana há menos de um ano. Comprometida e séria, ela quer fazer um trabalho bem feito. Mas tem uma série de questões sobre como fazer o trabalho de uma maneira mais eficaz e sobre seu próprio papel na coordenação. Ela veio me procurar. Começamos uma conversa e não conseguimos termina-la. Minha cara, desculpe-me se uso deste espaço para dar continuidade ao nosso papo, mas acho que pode servir a outras pessoas que estão na mesma situação.
Sei que você quer fazer bem o seu papel e que a equipe que está na coordenação junto com você também tem esse desejo. Assumir uma coordenação diocesana carrega alguns desafios e precisa de algumas posturas novas também. E acredite que não há receita pronta. Há coisas que a gente vai descobrindo no caminho. Com o tempo de vida que eu tenho, eu descobri algumas delas. Quem sabe uma ou outra possa servir para você?
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Vamos conversar sobre nossa organização?
Quantos de vocês não olham para suas realidades e pensam: “Isso aqui poderia estar um pouco mais organizado...”. Sim, é possível que este pensamento já tenha passado pela cabeça de vocês. Contudo, quantos já colocaram o dedo na ferida (não para ser um sádico cruel, mas com o cuidado de quem quer limpar e tratar para melhorar)? Quantos já arregaçaram as mangas e colocaram a mão na massa? Quantos já pararam para se planejar de forma mais eficiente, eficaz e efetiva?
Quer um exemplo? Ano que vem a Campanha da Fraternidade é sobre juventude. O que você e o seu grupo (seja na comunidade, paróquia, setor, forania, região, diocese ou sub região) tem feito a respeito? Meu caro, minha querida, este é um momento único e privilegiado! Não podemos nos contentar a fazer uma Campanha meia boca por alguns dias da quaresma e ponto final. É preciso pensar na vida da juventude e ajudar as nossas comunidades a refletir sobre isso também. É preciso falar de culturas juvenis, abrir as portas das nossas igrejas para um diálogo franco com elas. É preciso denunciar todo sistema de morte que cerca e ronda a juventude. É preciso buscar e expor os porquês dos jovens serem vítimas e agentes da violência. É preciso escancarar e deixar claro e nítido porque a proposta de Jesus é uma boa nova para os jovens também. É necessário mostrar porque nos apaixonamos por esta causa e porque somos pejoteiros.
Vocês já conversaram sobre isso?
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sábado, 11 de junho de 2011
O papel das representações
Uma amiga me disse outro dia que o problema é que os jovens dos grupos vão para as “instâncias” e esquecem da base. Digo que isto pode acontecer e que já vi com mais de um representante. E também já vi o contrário, gente muito comprometida com os grupos, como também presenciei momentos de falta de preocupação com as bases de gente séria e responsável. Ou seja, neste universo que é a representação de instâncias e na nossa organização pastoral nos diversos níveis, há de tudo.
Por “instâncias”, quero dizer desde a paróquia, onde o grupo de jovens vai se fazer representado, até a coordenação nacional da PJ. Por incrível que pareça, há perfis de representações que se repetem nestes níveis. Como entender que papéis existem e como trabalhar com eles? Não é minha intenção falar de todos os perfis, mas contribuir com algumas reflexões. Vamos a elas.
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