terça-feira, 15 de julho de 2014

Fragmentos de uma utopia

Era 12 de julho. Dia de sol. De manhã eu me encontrara com muitos amigos, companheiros de caminhada. Rimos, comemos, bebemos juntos. Depois do almoço, cada um foi para o seu canto. Ia ter jogo da seleção. Era o último jogo do Brasil naquela Copa do Mundo. Muita gente ligada. Eu, pessoalmente, não me importava muito com o resultado.

Mas era o Brasil em campo. De um lado a seleção local. Do outro uma finalista da última copa do mundo. Países de tradição. Muita rivalidade. O último encontro entre os times havia sido marcante, mas não dera ao vencedor o título daquela Copa.

Como eu disse, eu tinha outras preocupações. Nem mesmo a derrota do Brasil por três a zero me abalaram. Eu havia feito uma longa viagem. Saíra de casa no dia anterior. Almoçara numa cidade e estava agora ali, comendo um churrasco com gente que eu acabara de conhecer, na periferia de um município que eu nunca havia pisado antes. Parece que foi por estes dias. Mas isto aconteceu há 16 anos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A vida é tão rara

Era um sábado pela manhã e eu saí para doar sangue. Não era para ninguém em específico. E não conto isso aqui para ganhar o aplauso ou possível compaixão pela história. Conto isso como um mote para dizer que a vida é muito frágil.

Poderia começar, por outro lado, contando que este ano já me presenteou com Rafael, meu sobrinho e com Miguel, meu sobrinho-neto e que até o fim do ano mais um sobrinho-neto, o Artur, deve chegar também. Bebês como eles, delicados, frágeis, indefesos mostram os detalhes do milagre da vida e como podemos facilmente perder este dom fantástico com uma bobagem qualquer que façamos ou com uma doença ou um mal inesperado.

Mas volto à história da doação e a fragilidade da vida. Meu organismo produz uma proteína numa quantidade maior do que a média das pessoas. Isso me impede de consumir alguns alimentos e me é indicada a doação de sangue como forma de diminuir a quantidade dessa proteína no organismo. Não faz mal a quem recebe meu sangue e faz um bem danado a mim.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Uma pedra no meio do caminho

Já faz algum tempo que esta história vem remoendo dentro de mim. Quantos outros grupos poderiam se identificar com esta parábola? Quantos passam por situações parecidas? Quando eu a contei pela primeira vez, as pessoas logo associaram ao poema de Carlos Drummond de Andrade e também a superação pessoal diante dos problemas. Mas não era este o objetivo.

Entenda o contexto: era um grupo que estava fadado ao fracasso. Isolado, sem perspectiva. Pediram ajuda. Fomos contribuir. O texto abaixo era uma provocação para eles. Era um ponto de vista sobre a história que viviam. E não está exatamente como eu a contei. Há sim algumas adaptações, acréscimos e firulas. Mas a ideia principal continua aí. Será que você conhece grupos que se identificarão com Tiago?

***************************************

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Encontros e despedidas

Foram poucos os textos deste blog que trataram diretamente da minha pessoa e da minha atuação. Sim, há muito de experiência e de contatos pessoais por aqui, mas são raros os que fazem referência àquilo que fiz, vivi ou falei.

Encerrei o meu ciclo na assessoria regional da Pastoral da Juventude do Sul 1 no último domingo, dia 4 de maio. Foram anos de intenso aprendizado. Chega a ser clichê dizer que eu cometi muitos erros e que alcançamos juntos muitas vitórias. Mas isto é verdade.

Pude vivenciar cada momento daquela assembleia e fazer memória dos ciclos que se fechavam. Muitas pontas estavam abertas e algumas ligações precisavam ser refeitas. Muitos símbolos e momentos me fizeram viajar na história e encontrar no passado, distante ou recente, uma memória, uma pessoa, uma etapa com a qual fizesse par.

sábado, 19 de abril de 2014

Falando de estratégias e táticas

A palavra strategia, em grego antigo, significa a qualidade e a habilidade do general. A palavra vem do grego: stratègós: de stratos (exército) e ago (liderança). Este líder, o general no caso original, passou a se posicionar mais à distância, no alto das colinas, de onde podia observar o campo, adquirindo um maior potencial para selecionar a melhor posição e o melhor conjunto de manobras (do grego tatike – tática) para vencer a batalha e, mais provavelmente, a guerra.

Em termos bem gerais, estratégia é onde queremos chegar e tática é como devemos fazer para chegar. Por falar em pastoral, quando nos referimos à estratégia, ou seja, liderar (agos) este exército (stratos), ou os grupos que nos são confiados, estamos falando em planejamento estratégico.

terça-feira, 8 de abril de 2014

E Jesus chorou

Já me disseram que este era um dos menores versículos da Bíblia. Não pesquisei a sério para saber se é verdade, mas é fato de que ele é extremamente profundo. Está lá no Evangelho de João, capítulo 11, versículo 35. Dependendo da tradução tem três, quatro ou cinco palavras.

Para entender o contexto, Jesus é chamado para visitar o amigo Lázaro que se encontrava bem doente. Ele era irmão de Marta e Maria, moradores de Betânia. Os especialistas que tratam deste encontro são bem favoráveis a dizer que aquela era uma casa amiga, de gente chegada e querida.

Chegando ao local, Jesus e seus discípulos encontram Marta e depois Maria e ambas coincidem na mesma frase: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Lázaro estava morto há quatro dias. O encontro com Maria às lágrimas deixou Jesus comovido. Ao ser levado ao túmulo, Jesus chorou.

domingo, 23 de março de 2014

Quem merece elogio?

A pergunta é: Quem faz um bom trabalho, merece um elogio? A boa educação indicaria que sim, mas vamos colocar uma variável. A pessoa tem a função de realizar determinado trabalho. Se o faz bem feito, merece elogio?

Conheço gente que mudaria o discurso. Diriam que se fulano tem aquela função, o correto é que faça bem feito. É uma obrigação de caráter. É quase um contrato. É quase uma função empregatícia. E eu observo tudo isso e me pergunto se tem que ser assim mesmo.

Sujeito tem um emprego e realiza determinadas tarefas. Se o serviço dele é bem feito, ele não faz mais do que a própria obrigação, já que está sendo remunerado para isso? Penso que isso não é lá muito motivador. Se esta lógica estiver certa, as pessoas que fazem um serviço voluntário, sem pagamento a receber, não tem necessidade de agir com empenho?