terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Avançar para Águas Mais Profundas

Ei, povo querido da caminhada, tudo em paz por aí?

Janeiro e julho costumam mexer forte com o coração da nossa juventude. É tempo de Missão Jovem, de “Semana Missionária”, de arrumar a mochila, calçar as sandálias e sair do conforto do “nosso cantinho” para o encontro com outras realidades. Missão é isso: sair, levar a Palavra e, ao mesmo tempo, deixar-se evangelizar pelo caminho.

E vale a pergunta sincera: fazer missão virou só mais um compromisso na agenda? Porque, no fundo, ela é o que dá fôlego ao grupo. Sem esse movimento de saída, a gente até se reúne, reza e planeja, mas corre o risco de ficar girando em torno de si mesmo. O grupo de jovens não é o ponto final, mas sim uma parada estratégica no caminho: é onde fazemos uma pausa para recarregar as energias antes de continuar nossa jornada.

Avançar para águas mais profundas é confiar que Deus já está nos esperando além do conhecido, nas periferias da vida, nas dores e esperanças do povo. E para ajudar nosso grupo a dar passos possíveis nessa direção, seguem cinco pistas para rezar, conversar e amadurecer juntos o espírito missionário.

1. Orientar-se por Jesus 

A gente só consegue “sair de si” quando aprende a não girar sempre em torno das próprias preferências. O primeiro passo é mais místico do que estratégico: perguntar, com honestidade, se o que fazemos é porque “sempre foi assim” ou porque Jesus está nos provocando hoje, aqui, agora.

Colocar o Mestre no centro é colocar nossos planos diante do Evangelho e perguntar sem maquiagem: isso gera vida? Aproxima dos pequenos? Diminui a distância entre nós e quem está à margem? Quando Cristo vira o critério, a gente percebe que mudar de rota não é fracasso, é fidelidade.

2. Dar um chega “prá lá” no comodismo

Vamos combinar: missão e zona de conforto não falam a mesma língua. Aquele “sempre fizemos assim” pode até dar segurança, mas também pode ir roubando, aos poucos, a criatividade pastoral do grupo.

O espírito missionário cutuca a gente a rever linguagem, dinâmicas, horários, formatos… tudo! Não é jogar fora a história bonita que já vivemos, mas perguntar com coragem: nossa fala ainda alcança o jovem que está lá fora, no trabalho, na escola, nas redes, na vida real? Ou estamos falando só para quem já está dentro?

3. Olhar para o chão da vida

Missão não acontece no ar. Ela tem CEP, tem rosto, tem sotaque. Acontece no território, no bairro, na quebrada, nas cidades onde tanta gente pisa todo dia. Por isso, não tem outro jeito: é preciso gastar sola de sandália.

Isso passa por ouvir mais do que falar, por visitas simples, conversas sem pressa, abraços sinceros, escutas que não querem resposta pronta. Aos poucos, o grupo vai descobrindo algo fundamental: o Espírito Santo chegou lá antes da gente. E missão, muitas vezes, é menos “levar Deus” e mais aprender a reconhecê-lo na vida real do povo.

4. Missão é mutirão

Missão não é tarefa de meia dúzia dos mais animados nem responsabilidade exclusiva da coordenação. Ou o grupo inteiro se sente enviado, ou o que a gente faz vira só ação isolada, daquelas que rendem foto bonita, mas não mudam o coração.

Quando a missão vira caminhada comunitária, ela começa a moldar a identidade do grupo. Cada um entra do jeito que é: com seus dons, seus limites, sua alegria, seu cansaço. É nesse “ninguém solta a mão de ninguém” que a gente se descobre corpo, onde todo mundo importa e ninguém fica para trás.

5. Cuidar da mística do caminho

Empolgação de começo é linda, mas não sustenta a missão sozinha. A estrada cansa, o sol aperta, a rotina pesa. Por isso, o grupo precisa cultivar uma espiritualidade do seguimento: simples, profunda e encarnada.

Oração, partilha da Palavra, silêncio, celebração... nada disso é fuga do mundo. É combustível. Um grupo missionário aprende a rezar a vida, levando para a oração os rostos encontrados, as histórias escutadas, as perguntas que ficaram sem resposta. É daí que vem a força para continuar, mesmo quando os frutos demoram a aparecer.

Para guardar no coração (e levar para a reunião)

Assumir esse espírito não é pular no escuro; é entrar num caminho de discernimento, passo a passo. Que tal, na próxima reunião, a gente parar um pouco e se perguntar juntos: nossa fé tem nos empurrado para o encontro ou, sem perceber, virou desculpa para continuar tudo do mesmo jeito?

Ninguém precisa dar saltos gigantes de uma vez. O importante é não ficar parado. Avançar para águas mais profundas é confiar que o Senhor já está lá na frente, esperando o grupo na outra margem, com gente nova, histórias novas e conversões que a gente ainda nem imagina.

E aí, vamos juntos deixar esse Reino acontecer no chão onde a gente vive?

Um abraço fraterno e muita mística na caminhada... até onde Deus quiser nos levar.


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