quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PJ não reza

Sabe aquelas histórias sobre a PJ que vira e mexe a gente gasta um tempo enorme para desmentir? Se eu lhe oferecer a chance de pensar em três destas histórias, certamente uma delas será “a PJ não reza” ou “a PJ não tem espiritualidade”, não é verdade?

Este caso chega a ser repetido por tantas e diferentes pessoas, que acaba se tornando parte da mitologia pejoteira: um grupo de histórias fantásticas e/ou fantasiosas que servem para explicar ou justificar para um grupo de pessoas porque a PJ é do jeito que é.

Quem acompanha este blog sabe que eu defendo a espiritualidade pejoteira como uma das marcas fortes de nossa identidade pastoral. E se esta é uma das características marcantes do nosso jeito de ser, é claro que este mito de que a PJ não reza é algo que nos foi atribuído e que muita gente repete por aí, mas não é algo que faça parte de nossas características.

E como é que nós rezamos? Nossa espiritualidade tem características bem definidas: ela é centrada na pessoa de Jesus e na sua missão, parte sempre de nossa realidade concreta e leva sempre a uma transformação pessoal, grupal e social.

Mas se a nossa espiritualidade é tão bem definida, como podem algumas pessoas dizer que a PJ não reza? Porque na cabeça de algumas pessoas, oração é algo extremamente individualista, que é cercado de mistério e que celebra uma relação vertical (entre a pessoa e Deus) e deixa de lado a relação horizontal (entre as pessoas).

Há também aqueles que apontam para a espiritualidade como algo que esteja desligado das coisas da vida cotidiana. Herdeiros de um platonismo mal explicado, acham que só valem mesmo a pena as “coisas do alto” e que as “coisas do mundo” só servem para nos corromper.

Por fim, entre os que acham que a PJ não reza há também aqueles que despiram Jesus de sua vida e de sua proposta. Para estes, Jesus é o maior dos milagreiros, quase um super mágico. E quase ignoram o que venha a ser Reino de Deus, quase sempre associado ao prêmio da vida após a morte para aqueles que se sacrificaram durante esta vida mundana, seguindo ao pé da letra regras e preceitos.

Então, se é assim, é fácil ter uma espiritualidade pejoteira, não é?. Infelizmente isto não é verdade. Eu já pude presenciar muitos lugares em que, de fato, a PJ não reza. E isso normalmente acontece porque não se faz a integração fé e vida de forma harmônica.

Já fui em tantas reuniões e encontros em que as pessoas simplesmente não param um minutinho para uma reflexão em torno dos mistérios da vida e da fé que nos motiva a seguir adiante. E tantas outras em que havia no cronograma o momento da “espiritualidade”, mas que estes eram momentos de discursos chatos que só falavam e falavam, mas não mexiam, provocavam ou motivavam as pessoas. Há pejoteiro que confunde oração com formação e despeja sobre os demais sua boa (ou má) oratória.

Há pejoteiro que descuida ou que acha pouco importante a oração pessoal. Para eles, bons mesmo são os momentos em que ele reza com o grupo. Claro que estes são momentos importantes, mas não se pode abrir mão do momento de rezar sozinho. Se você é capaz de guardar cinco minutos diários para estar em sintonia com a sua própria vida, com a vida dos seus irmãos, amigos, familiares, conhecidos, pedir a Deus por eles, pedir paciência para lidar com suas relações, agradecer os momentos vividos e, como dizia o padre Zezinho, pedir a sabedoria para dizer “a palavra certa, na hora certa e do jeito certo e para a pessoa certa”, você já fez grande coisa. Isto também é alimentar diariamente sua espiritualidade.

É claro que estes momentos não substituem as orações em grupo ou a celebração eucarística de sua comunidade. Todas elas têm sua importância e nenhuma delas toma o lugar da outra. A PJ tem como característica enriquecer os momentos de espiritualidade em grupo com elementos que saltam aos sentidos. Há muita cor, luzes e sombras, cheiros e sabores, vida e história, sonhos e desafios, toques e movimento, música e dança, símbolos e significados presentes nestas celebrações e orações. Este é um diferencial. E isto é muito importante. Basta ver, como exemplo, o uso da Leitura Orante da Bíblia ou do Ofício Divino da Juventude.

A PJ reza? Claro que reza! Que pergunta! Mas é preciso estarmos atentos sobre o valor que damos a estes momentos e como eles são conduzidos. Momentos de espiritualidade não são “blocos” a serem preenchidos num cronograma de reunião ou encontro, mas sim elementos fundamentais para fortalecimento da nossa identidade e da nossa missão.

14 comentários:

  1. Só uma coisa que não me ficou clara. Na passagem: "[..] é claro que este mito de que a PJ reza é [..]"

    Aí não seria: "é claro que este mito de que a PJ não reza é"?

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  2. Ô meu caro Althielis, verdade mesmo. E olha que eu li e reli várias vezes antes de publicar o texto. Já está corrigido! Obrigado!

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  3. Ô Rogério!

    Muito bacana esse texto! Sabe que ele dialoga com aquele outro que tu me pediu? Resolvi, por isso, repostá-lo, só que lá no meu blog.

    A PJ, de fato, tem sua mística centrada em Jesus. Mas, em muitos grupos, esse Jesus não é o da Bíblia. Tenho lutado pela leitura popular e juvenil. Porém, não é fácil, sabe... A Bíblia ainda é apenas um "aperitivo" para começar a reunião. O pessoal não consegue vincular o Cristo aos Evangelhos... Quando muito, usam estorinhas (essas de correntes de e-mail) para falar do Mestre. Complicado, né!?

    Sigo teimosamente lutando, até porque textos como esse teu me mostram que não estou sozinho na caminhada! Sigamos juntos, meu amigo e irmão!

    Paz e Bem!!!

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  4. Josué Cândido da Silva15 de dezembro de 2011 01:53

    A PJ não reza?
    Não reza mesmo!
    Não reza o terço, o quarto, nem o quinto.
    Não reza novena, centena, milhar.
    Não reza ladainha.
    Não dispara como uma metralhadora palavras mortas, sem sentido nem vivência.
    Não recita a decoreba da vovó, do padre, do bispo...
    Não se perde nos superlativos: altíssimo, perfeitíssimo... para falar com nosso Irmão.
    Não fica rastejando com mil reticências para falar com nosso Pai.
    A PJ não reza.
    A PJ mantra: profundo, silêncio, escuta.
    A PJ ora: como o pássaro ao amanhecer faz a oração de todo dia. Faz o jovem de sua vida oração.
    A PJ canta e dança e ri... e Deus Conosco.
    A PJ luta e resiste... e "não há maior amor que este..."
    Definitivamente, a PJ não reza.
    Deixemos as rezas para os que não sabem dialogar com Deus.
    Para os que acham que Deus tem uma secretária eletrônica para arquivar sempre as mesmas mensagens.
    Pois não precisa de reza, quem faz da vida oração.

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  5. Assim como a maioria das coisas, a PJ tem virtudes e defeitos. A minha conclusão de tudo isso é que a Igreja está se separando dentro dela mesma, existe algo como uma rixa entre os movimentos católicos...

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  6. Removi o comentário anterior para agregar e refletir um pouquinho mais...
    Eu penso que a a PJ não "Reza". Eu acredito que a PJ Ora. Faz orAção... ela age. Penso que não há oração mais bela do que muitas ações da PJ com seus jovens na reflexão e evagelização de Cristo. Há muitos católicos, pejoteiros que não entendem, não vivenciam e se confundem com a verdadeira proposta, jamais podemos deixar a chama se apagar! Viver é uma oração constante e se doar pelo irmão é se aproximar do Pai.

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  7. A PJ reza. A sua maneira...

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  8. PJ não reza terço? Não reza Novena? Não reza Ladainha?
    A qual Igreja ela pertence então?
    Precisamos ter discernimento para romper com velhos esquemas sim, mas também para acolher a história e a tradição dos que nos antecederam. Os terços, ladainhas, missas e novenas, NÃO são de maneira nenhuma um monte de palavras jogadas ao vento ao bel prazer de quem as profere. Alguns a tornaram assim, mas não deve ser assim...
    Já vi grupos de PJ que fizeram terços vivos, e auxiliam na realização das famosas novenas de Natal em suas respecitivas paróquias. E isso de maneira ALGUMA deixa de ser o jeito de ser e fazer da Pastoral da Juventude, mas sim o enriquece...

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    1. Concordo!!

      "PJ não reza terço, não reza Novena, não reza Ladainha"

      Uma pessoa que diz isso não conhece sua igreja. Vive o secularismo a sua maneira.
      Proveniente de uma militância sem fé. Sem fé na igreja, sem fé no milagre do jesus cristo encarnado, sem fé na Tradição e Magistério da Igreja.
      Não me é indiferente que esta tendo uma separação entre os grupos e movimento da igreja, por que os mesmo não estão sendo igreja. Lamentável

      Rodrigo Freitas Ventura

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    2. Quando ele frisou essas formas de rezar, ele não quis dizer elas por si só são ruins, mas pelo tradicionalismo regrado que se impõe. Eu particularmente rezo terço, ladainha que são devoções populares. Mas quando não há o espaço, o tempo e a disposição suficientes (pq duvido do tradicionalista ou carismático ferrenho se ele está ON pra Deus 24 horas por dia) rezo meu mantra, minha oração pessoal ou meu gesto concreto feito com amo... algo que me conecte ao Divino. Isso sim é oração.

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  9. Perfeito esse texto. Já estou cansando de discutir com os irmãos carismáticos, legionários, misericordiosos, entre outros. Posso republicar depois? Com os devidos créditos.

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  10. Olá desculpe minha ignorância só estou buscando compreender mas...
    Rogério de Oliveira, acho que o senhor não foi muito claro no que desejava passar. O senhor falou, deu exemplo de Pejoteiros que fez isso fez aquilo , Orar sozinho, orar em grupo etc.. Mais não disse com mais clareza qual é o certo.O senhor não foi sucinto o suficiente para definir o que é a espiritualidade da Pj no que diz repeito a pratica orante. Tem algumas praticas sito um exemplo milenar da Santa igreja - Adoração ao santíssimo.
    Será que as pessoas que vão a uma adoração ao Santíssimo , se enquadra neste "platonismo mal explicado"? Ou tbm não posso obter um espiritualidade através do mesmo?
    O senhor diz:
    "Nossa espiritualidade tem características bem definidas: ela é centrada na pessoa de Jesus e na sua missão, parte sempre de nossa realidade concreta e leva sempre a uma transformação pessoal, grupal e social."

    Parece que a espiritualidade é proveniente APENAS da ação conjunta social seguidas pelo exemplo Missionário de Jesus Cristo? (não estou dizendo que esta errado). E quando vc diz " parte sempre de nossa realidade concreta" Me parece que vc se refere que a espiritualidade não depende da transcendência de nossa religião e que ele não é obtida pelo corpo mistico celestial de Jesus Cristo. Ou seja na Missa não existe espiritualidade ou oração para o Pjoteiro?

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  11. Meu caro amigo (ou amiga) Unknown. Obrigado por escrever. Foram considerações interessantes e que me deram mais ideias para um novo texto. Já escrevi bastante neste blog sobre a espiritualidade pejoteira e peço que dê uma olhada neste link. Pode ser que ache algo útil. http://pejotando.blogspot.com.br/search/label/espiritualidade

    Queria que ficasse tranquilo (ou tranquila) quanto à adoração ao Santíssimo ou à participação na Missa. Ambos são momentos privilegiados de oração. Mas quero abordar, como disse, este tema mais no futuro.

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  12. mas eu gostaria de dizer que teve um ocorrido com um amigo me, que ara de pj, ele chegou a ser coordenador de pj, mas aí deu um tempo mas não deixou o movimento, mas um dia ele chegou em um encontro com um terço e pediu para que naquele encontro ele fosse rezado, mas quando ele propôs a idéia, e disseram que ele tinha virado RCC, depois disto ficou a dúvida será mesmo que a pj reza o terço ou não?

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