sábado, 23 de setembro de 2017

Você fala por quem?

Eu tenho bem clara a lembrança da votação do impeachment da Dilma. Lembro-me de deputados falando ao vivo nos canais abertos de televisão em cenas que poderiam ser cômicas se não fossem grotescas. Lembro-me ainda discursos que eram coerentes em relação a uma característica própria. Muitos repetiram que votavam em nome dos eleitores de seus estados.

Uma das tarefas de um deputado é justamente essa, falar em nome dos eleitores. Impossível falar em nome de todos, por isso, teoricamente, são eleitos vários deputados. O universo macro de todo o Brasil deveria estar ali, naquele microuniverso que se chama Câmara dos Deputados. Sabemos que esta representatividade está longe, porém.

Se olharmos sob qualquer parâmetro, a comparação estará desigual. Mulheres são pouco mais da metade da população brasileira e representam menos de 10% do total de toda Câmara. O mesmo vale para os negros. Profissões, religiões, nível de escolaridade, idade, nada disso está nem próximo à realidade. Mas eles falam por nós.

domingo, 27 de agosto de 2017

Que marcas que a PJ deixou?

Aqueles dias eram tempos de sonhos. Cinco amigos, ou melhor, quatro amigas e um amigo. Meados dos anos 2000. Grupo de jovens da paróquia. Uma formação bem feita. Um acompanhamento exemplar. O desejo de semear o Reino de Deus era enorme. A articulação conduzida como deveria sempre ser. Vários grupos se conheciam. O DNJ era famoso.

Havia uma promessa particular entre estes jovens amigos. Eles queriam ver e ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Queriam se capacitar. Olhavam o futuro com esperança. Seguir o exemplo de Jesus era condição. Mas passados cerca de 10 anos, o que ficou?

sábado, 12 de agosto de 2017

Você já pensou em seu projeto de vida?

Um dos grandes presentes que a Pastoral da Juventude me deu foi apresentar a ideia de desenvolver um projeto de vida. A sensação de ser levado pela maré, de seguir tendências, de não se ter o mínimo controle da própria existência é, no mínimo, preocupante.

A gente aprende desde cedo na PJ que é preciso que o/a jovem seja protagonista de sua própria história. Isto não pode ser tomado de uma maneira desconectada da realidade, sem um fundamento sólido, sem valores éticos e morais e sem entender as perspectivas que se apresentam diante de si.

A ideia de que “o futuro a Deus pertence” nos passa o sentimento de confiança espiritual, mas corre o risco de nos tirar a responsabilidade pelas nossas decisões. Fato é que tudo que fazemos ou deixamos de fazer apresenta, de certa forma, resultados nos passos que ainda serão dados.

sábado, 5 de agosto de 2017

Minha amiga pejoteira


Minha amiga é pejoteira. Talvez se dissesse só isso bastaria, mas é preciso explicar. Poderia até dizer que ela é um exemplo típico, mas não seria verdade. Embora muitas possam se identificar com sua trajetória, ou ver nessas linhas os traços de muitas caminhadas, eu escrevo pensando nela.

O que a faz então tão diferente de tantas histórias que aqui e ali são paralelas ou coincidentes? Sabe a história do Pequeno Príncipe e a rosa? O tempo dedicado a ela foi que a tornou especial para o príncipe. Se você não leu essa história, leia.

Ela é especial, ao menos para mim (e sei que para mais um tanto de gente), porque eu a conheci, porque eu a vi sorrir, gargalhar, sentir raiva, chorar. Porque lhe ofereci o ombro, sentei ao seu lado, ouvi seus sonhos, aconselhei-a, repreendi-a, tomei chamada dela. Trocamos e corrigimos textos um do outro, trocamos mensagens pela internet, conversamos pelo computador ou pelo celular. Viajamos juntos, fomos aos mesmos locais, na realidade concreta e também nos sonhos por um mundo melhor e pelo melhor da PJ.

sábado, 29 de julho de 2017

A cultura nossa de cada dia

Corria o mês de abril do ano de 2010. No dia 21 daquele mês este blog nascia. E vinha ao mundo com uma inquietude que ainda persiste. Por que a Pastoral da Juventude é do jeito que é? E, se tem um jeito, que jeito é esse?

Não eram inquietações aleatórias e soltas no vento. Eu aprendi com muita gente, e ainda aprendo, o que é fazer Pastoral da Juventude. Neste sentido, eu já havia rascunhado alguns textos. Cheguei a pensar em publicá-los um dia. Mas a morosidade para concluir este projeto e uma demanda crescente por indicativos que respondessem a pergunta acima me fizeram tomar outro rumo.

Por onde começar um blog sobre a PJ? Parti da ideia de que a espiritualidade é um dos alicerces da nossa identidade. Os primeiros artigos foram quase todos nessa linha. O texto inaugural questionava: “O que é mesmo Espiritualidade Pejoteira?”. E partiu, como parte a nossa metodologia, a partir da vida. Dizia assim:

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sobre identidade e identificação

Colega me perguntou o que é “pejotando”. Ele chegou no blog por conta do meu perfil em rede social. Eu respondi que tem a ver com a PJ, com a Pastoral da Juventude e que são publicações feitas para este público. Ele é participante comum das missas então o que eu falei para ele não era de todo estranho. 

De uma maneira geral, para a maioria das pessoas, quando se fala em pastoral se fala de um grupo de pessoas que faz um determinado serviço na igreja, e no nosso caso específico, com a Juventude. E o “pejotar” no gerúndio daria a impressão de um processo contínuo dentro desse serviço.

Há um pouco de verdade nesta explicação, por isso é preciso iluminar alguns conceitos. Quem dera pudéssemos fazer esse exercício para outros tantos casos que geram controvérsia. Mas enfim, é preciso jogar um pouco de luz sobre o que seja Pastoral da Juventude, para poder entender o que é este blog.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Sobre privilégios

Voltava outro dia para casa, vindo de transporte público. Na passarela eu me dei conta que eu era mais alto do que a maioria das pessoas que ali estavam na multidão. Isso era bom para mim, pois me permitia ver mais longe e saber, antecipadamente onde estavam as aglomerações ou algum problema adiante e poder desviar.

Eu voltava para casa, vindo do meu serviço. Vinha bem vestido. Roupa limpa, alinhada, confortável. Houve quem já me dissesse que aquela era "roupa de patrão". (Patrão andando de transporte público, enfim... Mas continuemos).  O que significaria essa expressão? Que, assim como a altura, eu estivesse acima da média no padrão de vestimenta. Talvez fosse isso. Ou, provavelmente, mais do que isso.