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sábado, 17 de outubro de 2020

Como você vê a juventude?

Não sei se você já parou para pensar como o jeito com o qual você trabalha com a juventude está profundamente ligado com o entendimento que tem do que é ser jovem. A gente não precisa ser estudioso da sociologia (embora isso ajude bastante) para entender que diferentes visões implicam em diferentes ações e posturas.

Claro que eu não quero ser simplista e achar que somente este aspecto (o que você entende por ser jovem) seria a única ligação que indica a maneira como você trabalha com ou para eles. Esse olhar para a juventude é um dos fatores que moldam o estilo do seu trabalho. Há outros fatores. Os grupos com os quais convive tem um peso, assim como o contexto da sua realidade contribui e muito também, por exemplo. Mas hoje eu quero dar um enfoque especial a este olhar.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

De onde veio a Juventude?

Gosto muito de etimologia. Saber de onde as palavras vieram, como se estruturaram, qual era o seu sentido original e como ele foi mudando através do tempo. Entender isto pode ajudar a modificar alguns conceitos e preconceitos.
Por esta razão fui atrás da palavra Juventude. Para nós da PJ é algo que vai além da mera curiosidade. Quando falamos do próprio nome, saber o seu significado e os sentidos que lhe foram atribuídos é falar de nós mesmos, da nossa origem e de quem somos e de quem podemos ser.

sábado, 6 de maio de 2017

Sobre estar atento aos sinais

Há pessoas por todos os lados. Na sala de aula, no transporte público, do lado de lá do vidro, do trilho, do biombo do escritório, no banco da igreja, da praça, nas filas, nas vilas, nas famílias e nas calçadas cheias de caminhantes. A gente tropeça em pessoas. A gente ouve seus gritos e conversas em boa parte do dia. Há mesmo muita gente. Estamos cercados por eles e elas.

Há tantas pessoas sozinhas. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

E Jesus chorou

Já me disseram que este era um dos menores versículos da Bíblia. Não pesquisei a sério para saber se é verdade, mas é fato de que ele é extremamente profundo. Está lá no Evangelho de João, capítulo 11, versículo 35. Dependendo da tradução tem três, quatro ou cinco palavras.

Para entender o contexto, Jesus é chamado para visitar o amigo Lázaro que se encontrava bem doente. Ele era irmão de Marta e Maria, moradores de Betânia. Os especialistas que tratam deste encontro são bem favoráveis a dizer que aquela era uma casa amiga, de gente chegada e querida.

Chegando ao local, Jesus e seus discípulos encontram Marta e depois Maria e ambas coincidem na mesma frase: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Lázaro estava morto há quatro dias. O encontro com Maria às lágrimas deixou Jesus comovido. Ao ser levado ao túmulo, Jesus chorou.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Alargar o horizonte

Outro dia, numa conversa, um jovem perguntou quem era Dom Luciano Mendes de Almeida. Falecido há mais de sete anos, talvez fosse natural que aquele jovem não o conhecesse. Mas não deveria. É nossa missão perpetuarmos a memória daqueles que representaram um projeto de vida baseada no Evangelho e, consequentemente, de lutas populares.

Bispo auxiliar em São Paulo e arcebispo em Mariana, Dom Luciano era um Pastor, fosse no ambiente carcerário, na luta pelos direitos humanos, pela participação da juventude, da dignidade das famílias camponesas, da vida das crianças ou no caminhar com os mais excluídos.

O artigo abaixo foi publicado originalmente em 15 de janeiro de 2005 para a Folha de São Paulo. O texto, que é indicado aos adultos (sejam ou não assessores; sejam ou não católicos), sugere uma série de reflexões. Sim, passados nove anos, muita coisa mudou, porém há tantas coisas iguais. Talvez seja uma afronta, já que estas poucas linhas não podem representar quem foi Dom Luciano. Mas esta é uma introdução, uma lembrança, um aperitivo para pesquisas maiores. Que suas palavras ainda possam nos incomodar e levar-nos a uma reflexão e mudanças de atitudes.

domingo, 3 de março de 2013

A tal opção preferencial pela juventude

Documentos da Igreja a apontam. Pessoas repetem a afirmação por aí. E neste ano de 2013 será especialmente citada. Mas será que todos os que ouvem tal afirmação tem a mesma interpretação? O que significa de fato a Igreja afirmar que fez uma opção preferencial pela juventude?
 
Num artigo anterior, já discutimos sobre as diferentes razões apresentadas pelas pessoas para investir (ou não) na juventude. A realidade da pessoa, seu histórico, sua visão de juventude e de Igreja são a base para responder a esta questão do investimento. Mas será que elas também servem para explicar os entendimentos que possam aparecer a respeito da opção preferencial pela juventude?
 
O padre Jesuíta João Batista Libânio disse certa vez que para ajudar a entender uma frase ou expressão, podemos começar analisando palavra por palavra, suas origens e significados para depois entendê-las todas juntas e posteriormente no contexto citado. Achei uma boa dica. E será como faremos neste texto.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Para que investir na juventude?


Em tempos de “ano da juventude”, vale a reflexão sobre as respostas que são dadas quando se questionam os motivos, razões ou necessidades de se investir na juventude. E investimento não é só financeiro, é também doação do tempo, da escuta, do aconselhamento, dos recursos materiais, humanos e afetivos. 

Muito se ouve a respeito deste tema. Há afirmações positivas, negativas, de desconfiança ou todas juntas e misturadas. Qual a ideia que se esconde atrás de cada colocação? Que visões de mundo e de juventude estas respostas revelam? 

É preciso que se diga, novamente, que nenhuma delas é uma indireta a esta ou àquela situação específica. Na verdade é uma coletânea. Muita coisa se diz por aí. E muita gente acaba repetindo frases sem ao menos parar para refleti-las. Vejamos dez tipos de respostas:

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Maioridade penal: e aí?

Era um grupo de jovens reunido numa manhã de domingo. Passados os momentos iniciais da reunião, a coordenadora seleciona um voluntário do grupo com menos de 18 e com mais de 16 anos e o coloca numa cadeira ao centro do círculo formado pelos demais integrantes. Em seguida, divide a turma em dois grupos. Explica que ali seria feito um júri simulado.

A primeira metade iria atacar o réu (aquele jovem ao centro do círculo) e a outra metade iria tentar defende-lo. Situação bem simples. Só faltava dizer o que o jovem teria feito. Ele em si não fez nada, explicou a coordenadora. Mas na figura dele seria julgada a redução da maioridade penal. O grupo favorável à redução da maioridade penal apresentaria seus argumentos e o contrário tentaria rebatê-los. E assim, deu-se início.
 
O argumento básico para diminuir a maioridade penal é bem simples. O sujeito pode votar, pode doar sangue, mas não pode ser responsabilizado por crimes que venha a cometer. Isto é uma incoerência. Admitir que ele não tenha capacidade de discernir o certo do errado é ignorar a inteligência deste jovem. Com essa idade ele já não pode escolher que faculdade fazer? Nesta idade alguns já têm filhos. Não é uma decisão ‘adulta’? Por que não podem responder por seus atos? A TV e os jornais mostram hoje cada vez mais crimes cometidos por menores. Quem mata por maldade, por exemplo, merece punição sem piedade. Mas nossa sociedade os protege demais. Se a família não os educa adequadamente, que a sociedade o faça. Eles precisam aprender que para toda ação há uma consequência. É preciso que entendam que há limites, senão vira bagunça”.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Botar fé na juventude

Faça a experiência. Vá num grupo de coordenadores de grupos de PJ ou mesmo num grupo de assessores e pergunte quem é a juventude. Quer que fique mais interessante? Peça para falarem sobre seus conceitos em uma ou duas palavras. Aí está feita a feira!
 
Faça uma sondagem depois. A grande maioria vai por dois caminhos distintos. Uma juventude ideal e uma juventude problemática. É praticamente líquido e certo. Não tem escapatória. A juventude ideal é aquela batalhadora, revolucionária, com coragem de mudar, fazer e acontecer, com entusiasmo, encantamento e ideais. E a juventude problemática? É a consumista, hedonista, violenta, violentada, acomodada, indiferente, apolítica.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

É hora de botar a CF 2013 na rua

Depois de 21 anos, a Igreja no Brasil traz de volta a reflexão do tema “juventude” em 2013 durante a Campanha da Fraternidade (CF). Vivi intensamente o ano de 1991, preparando a CF do ano seguinte. Tenho em meu coração um espaço de saudade daqueles anos. Eu havia conhecido a PJ em 1989. Tínhamos na paróquia uma assessoria efetiva e afetiva dos salesianos e salesianas. E pudemos ir preparando o terreno para uma boa organização paroquial da PJ por lá.

Olho para o cartaz da CF 92 e muitas recordações vem em minha mente. Uma delas é de que, pela primeira vez, eu ouvia falar de juventude na Igreja como um elemento renovador. Era “o novo”, falávamos e líamos nos documentos. Os cantos litúrgicos e de animação tocavam neste ponto.Tantas iniciativas. Tantos cursos. Tantas palestras. Tantos festivais. Tantos shows. Teve até escola de Samba falando no tema! Era o ano da juventude. Foi um despertar!

Pois então, vinte e um anos depois, nós estamos novamente às vésperas de outro “ano da juventude”. 2013 chega anunciando nova CF sobre juventude e pela primeira vez a Jornada Mundial da Juventude acontecendo no Brasil. Aqui nas terras paulistas, também estaremos celebrando 40 anos de organização pejoteira. É um ano bonito e cheio de desafios.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A Igreja e a Juventude – parte 2

Em diversos documentos a Igreja se pronuncia sobre as questões da juventude. Vimos um pouco disto no último artigo. A proposta desta segunda parte é trabalhar a partir da lógica oferecida por Dom Eduardo Pinheiro quando falou deste tema durante o 9° Encontro Nacional da Pastoral da Juventude. E acrescentar a sua fala um último documento.

Durante o 9° ENPJ, realizado em 2009, Dom Eduardo Pinheiro, então bispo responsável pelo Setor Juventude da CNBB, apresentou uma palestra tratando a respeito dos jovens nos documentos da Igreja. Ele falou sobre os três dos mais recentes à época: As diretrizes da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2008-2010), o documento de Aparecida (V Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe) e o documento da CNBB sobre a Evangelização da Juventude.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Igreja e a Juventude – parte 1

Estamos às vésperas de uma nova Campanha da Fraternidade sobre Juventude. Isto já foi tema de artigo neste blog. E estamos também nas vésperas da primeira Jornada Mundial da Juventude por aqui. Os dois acontecimentos ocuparão o cenário eclesial no ano de 2013. É natural, portanto, que muitos pronunciamentos da Igreja nos últimos tempos sejam direcionados para a juventude. 

A proposta deste artigo é resgatar alguns dos pronunciamentos da Igreja sobre os jovens nos últimos 50 anos. Diz o documento 85 da CNBB sobre a evangelização da juventude que  “a Igreja Católica é uma das organizações que tem mais experiência acumulada e sistematizada no trabalho com a juventude. É importante resgatar essa experiência, estando atentos aos sinais dos tempos” (CNBB, Evangelização da Juventude – Doc. 85, n° 49).

Além de resgatar estes pronunciamentos, a proposta é apontar onde podem ser consultados. Como a pesquisa foi relativamente grande e muito material foi colhido, este artigo será dividido em duas partes. Vejamos a primeira delas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Somos gente de princípios



Num outro artigo, comentava sobre a decisão que a Coordenação Regional da Pastoral da Juventude do Sul 1 (estado de SP) tomou em relação aos grupos de trabalho criados na última assembleia regional. Estes grupos de trabalho (GT’s) estão a serviço não da coordenação regional, mas sim dos grupos de pastoral da juventude (paróquias, dioceses e sub regiões) deste estado. E eles foram criados sob a inspiração dos projetos nacionais aprovados na última ampliada nacional. Cada GT recebe um nome de um dos projetos e procura desenvolver trabalhos a partir das motivações destes mesmos projetos.

Pois bem, a decisão que a CRPJ Sul 1 tomou diz respeito às orientações que estes GT’s terão para poder desenvolver o próprio caminhar. Foram dadas duas prioridades pastorais: “Nucleação de Grupos de Jovens” e “Trabalhar e Fortalecer a Identidade da PJ”. Isto significa que toda ação que estes GT’s tomarem tem que ter como objetivo último estas duas prioridades.

A pergunta que caberia fazer aqui é se vale qualquer ação para dar conta destas prioridades? A resposta clara é não! A CRPJ do Sul 1 elencou doze princípios pastorais que servem para balizar estas prioridades. E é sobre metade delas que falaremos hoje. Antes, vale ressaltar que estas dicas são direcionadas para os GT’s, mas podem ser utilizadas por qualquer grupo de pastoral que esteja interessado.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Jovem: ser pessoa

É uma grande alegria poder ter entre os artigos deste blog um texto da querida Ana Cláudia. Corre um sangue legitimamente pejoteiro nas veias desta mulher. Foi coordenadora e assessora regional no Sul 1. É até hoje um dos meus referenciais no que diz respeito ao amor que deve se dar ao trabalho pastoral. É uma honra tê-la por aqui, Ana.

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Quando Rogério me pediu para falar sobre o tema jovem ser pessoa, vieram diversas idéias na cabeça, várias histórias, algumas músicas que fizeram e marcaram o período “jovem” da minha vida. Apesar de me sentir bem disposta para muita coisa, os anos passam e tenho clareza  que para algumas questões o tempo já passou e mesmo com toda disposição do mundo, sei que agora cabe a outros continuar a caminhada. Claro que posso contribuir, existem diversas outras formas de fazê-lo sem fazer o que cabe aos protagonistas desta história.

Bem, mas chega de enrolação e vamos ao que interessa! Mas afinal, o que entendemos por “Jovem: ser pessoa”? Não vou dar nenhuma denominação teórica,  mas romantica da coisa, um pouco parecido comigo. Ser jovem é aprender que o amor vai além do que compreendemos, é não ter medo, é saber se encantar com as pequenas coisas, sentir a brisa no rosto, sem se preocupar com as rugas. Compromissos (e quanto compromisso!), para outros descompromisso, momento de arriscar e buscar o que nos faz feliz.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O negócio é curtir o momento. O resto é resto.

O ontem já era. O amanhã não é certeza. O que temos de real é só o hoje. Ou talvez nem isso. O que temos mesmo é o momento de agora. Curto mesmo. Eu tenho mesmo é que aproveitar. Bobagem pensar que existe algo além daquilo que se vive no aqui e no agora. É o instante! Piscou, já foi. Virou sombra na neblina.

E o que está feito, está feito. Não há como consertar ou voltar atrás numa atitude tomada. É bobagem se arrepender. Para que existe a culpa? Só para te deixar com um sentimento de peso e de remorso. Bobagem, novamente, bobagem, eu digo. Quem se arrepende do que faz, tem medo de viver; viva e deixe acontecer, eu sempre repito.