sábado, 28 de maio de 2016

Cinco conselhos às lideranças pejoteiras

Nestes anos todos na pastoral da juventude, conheci muita gente engajada nas diversas instâncias e em muitos serviços. Muitas lideranças de grupos de base, muitas/os jovens e assessores das instâncias estaduais e nacionais. Alguns dos textos deste blog foram direcionados a uns, a outras, mas poucos foram para todo mundo.

Já vi gente falhar em coisas básicas que por vezes eu também caí. Coisas que estão no nosso DNA e que, na teoria, não deveríamos falhar. Coordenadores/as, assessores/as e lideranças tropeçando neste ou naquele aspecto.

Por isto resolvi escrever este textinho. Cinco conselhos bem básicos, mas que eu acho fundamentais. Cinco ideias que, revendo agora depois de escritas, podem ser aplicadas com as devidas adaptações a qualquer grupo.


1. Prepare alguém que seja melhor que você em seu serviço.
Dos tantos trabalhos que você terá ao assumir um serviço na PJ, um dos mais importantes é saber que você desempenha uma função, mas não é o dono dela. Você não é coordenadora, você está coordenadora. Tudo é transição. 

E se você ama o trabalho que faz, precisa saber que, por ser transitório, outra pessoa deve assumir o lugar que você ocupa hoje. E que não pode ser qualquer pessoa, colhida aleatoriamente do meio do povo. Precisa ser alguém bem preparado e que possa fazer um trabalho melhor que o seu.

Está disposta a fazer este exercício de desprendimento e este processo de preparação e acompanhamento?

2. Confie na juventude que trabalha com você.
Esta frase poderia valer mais para quem está no serviço da assessoria, mas eu conheço muitas coordenações que não distribuem tarefas, que acumulam as decisões, que centralizam informações e que, com isso, não ajudam os jovens do respectivo grupo a assumir novos desafios.

A desculpa mais comum é de que estes jovens não estão preparados para assumir determinadas tarefas de tamanha responsabilidade. Gente querida, estamos falando aqui de protagonismo juvenil (no caso da ausência dele). Sem atribuição de tarefas, como cobrar responsabilidades? Sem a presença na criação das atividades, como falar de protagonismo? Quem não confia, não ama. Infelizmente.

3. Erros vão acontecer. Sempre. Aprenda com eles.
Nesta mesma sequência do item anterior, há um medo exagerado que a PJ erre hoje em dia. Há gente que vai falar que não é medo, mas cuidado. Não é não. É medo sim. É um medo paternalista que paralisa a ação pastoral. É achar que vai ficar mal com padre ou com bispo se o planejado não der certo. Claro que ninguém de boa vontade faz as coisas para não dar certo. Fazer isso é fraudar o processo.

Já dizia o ditado que “errar é humano”. E é olhando os passos realizados por aqueles que nos antecederam que podemos avaliar os erros e acertos que eles tiveram para poder balizar nossas ações no contexto atual. Sem medo de errar, mas comprometidos para que tudo dê certo. Sem temer, mas com ousadia.

4. Só entre na briga pelas estruturas em último caso.
Não sei em que instância da PJ você está, mas é quase certo que você está, esteve ou estará em conflito com outro grupo de outra esfera juvenil no que diz respeito à maneira como vocês ou eles trabalham. Normalmente isso acaba desembocando em alguma questão de representatividade ou de valorização de qual grupo é “mais importante” para a instância em questão. Dos momentos que eu já passei na pastoral, este está entre os mais desgastantes e menos produtivos.

A turma sofre com isso tudo. Há quem fique doente com este tipo de disputa. No fim das contas, há muito pouco de mensagem evangélica nisso. 

Hoje, diante de tudo que já vi e vivi, chego à conclusão de que só há uma razão de perder tempo com este desgaste: quando a missão evangelizadora da PJ ou a vida da juventude está em risco. A estrutura deve estar a serviço da missão. Se não estiver, ela é pura fantasia, inerte, morta e sem sentido.

5. Cultive suas raízes.
O que te trouxe para a caminhada da PJ? Onde está seu amor primeiro? O que não te faz desistir? Não perca isso da sua mente. Mas não torne isso um amuleto infantil. Uma raiz, da mesma maneira que a árvore como um todo, também precisa crescer e buscar nutrientes em espaços mais disputados ou profundos. Busque as razões que alimentam sua fé. Celebre sempre em comunidade a palavra e a eucaristia. Exerça a misericórdia. Deixe-se agir segundo a inspiração do Espírito de Deus. Ame, ame, ame e permita-se amar pela juventude. E não se esqueça do porquê faz tudo isso.

E assim você vai perceber que criou raízes profundas e que não será qualquer vento ou tribulação que vai abalar suas estruturas ou sua missão pastoral. Vai com fé.

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