quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vamos conversar sobre nossa organização?

Quantos de vocês não olham para suas realidades e pensam: “Isso aqui poderia estar um pouco mais organizado...”. Sim, é possível que este pensamento já tenha passado pela cabeça de vocês. Contudo, quantos já colocaram o dedo na ferida (não para ser um sádico cruel, mas com o cuidado de quem quer limpar e tratar para melhorar)? Quantos já arregaçaram as mangas e colocaram a mão na massa? Quantos já pararam para se planejar de forma mais eficiente, eficaz e efetiva?

Quer um exemplo? Ano que vem a Campanha da Fraternidade é sobre juventude. O que você e o seu grupo (seja na comunidade, paróquia, setor, forania, região, diocese ou sub região) tem feito a respeito? Meu caro, minha querida, este é um momento único e privilegiado! Não podemos nos contentar a fazer uma Campanha meia boca por alguns dias da quaresma e ponto final. É preciso pensar na vida da juventude e ajudar as nossas comunidades a refletir sobre isso também. É preciso falar de culturas juvenis, abrir as portas das nossas igrejas para um diálogo franco com elas. É preciso denunciar todo sistema de morte que cerca e ronda a juventude. É preciso buscar e expor os porquês dos jovens serem vítimas e agentes da violência. É preciso escancarar e deixar claro e nítido porque a proposta de Jesus é uma boa nova para os jovens também. É necessário mostrar porque nos apaixonamos por esta causa e porque somos pejoteiros.

Vocês já conversaram sobre isso?

domingo, 17 de junho de 2012

Sobre a manipulação na PJ

Este artigo é uma continuidade do texto “Detonando com a assessoria”, publicação que teve sua inspiração nas discussões ocorridas no III Encontro Regional da Pastoral da Juventude do Estado de São Paulo. Da mesma forma que o texto anterior, vou procurar destacar as partes do material original e fazer uma análise a partir deles.

O texto anterior falava sobre a assessoria. Este analisa as etapas iniciais dos grupos de jovens e o trabalho com as lideranças pastorais. É importante que saibamos o porquê das nossas opções pastorais, não só para um enriquecimento do saber intelectual, mas para termos clareza do que fazemos e para termos como contribuir para o crescimento dos jovens que caminham conosco. Diz o texto original:

E é por conta desta arte do convencimento que a PJ opta pelos pequenos grupos e tem pavor dos grandes grupos. Pequenos grupos são mais fáceis de serem organizados, moldados e manipulados. Desculpe-me se eu assusto você com esta terminologia, mas essa é a verdade. Na massa, o jovem pode ir na onda, mas não existe a certeza se ele está realmente convencido. Nos grupos pequenos isso é mais fácil.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Detonando com a assessoria

Durante o final de semana da celebração de Corpus Christi de 2012 eu estava junto com a turma do estado de São Paulo celebrando o III Encontro Regional da Pastoral da Juventude. Poderia dizer muitas e muitas coisas sobre este encontro. Mas gostaria de deixar focado um momento: sexta feira a tarde. As dioceses se agruparam por proximidade (aqui em São Paulo chamamos estes grupos de sub regiões) e tinham que discutir quatro textos e compará-los às suas realidades. Alguns eram bem provocadores. Outros apresentavam dicas e questionamentos. Vou me deter sobre um deles, o último, que tratava do tema Formação.

Ele causou alguns incômodos, pois questionava quatro posturas e opções da Pastoral da Juventude: o modelo de assessoria, a nucleação, a iniciação e o acompanhamento das lideranças. O texto começava assim:

“Há dois erros enormes na pastoral da juventude: um é o dar importância demais a um modelo de assessoria que não existe. O outro é o de insistir na valorização das supostas etapas iniciais dos grupos de jovens. Quanto tempo e quanta energia se perdem neste processo? Pode parecer heresia para alguns. Você não acredita nisso? Então seja frio, deixe a emoção de lado e analise comigo.”

sábado, 26 de maio de 2012

A Legião Urbana e a minha história de PJ

Fui adolescente nos anos de 1980 e jovem nos anos de 1990. Quase nesta virada de décadas eu conheci a Pastoral da Juventude. Foi neste mesmo período que eu entrei no que hoje se chama ensino médio. E foi na confraternização de fim de ano da minha sala que eu ganhei a minha primeira fita cassete (pronuncia-se K7) da Legião Urbana. Não sabe o que é uma fita cassete? Clique aqui e veja. Não sabe o que é a Legião Urbana? Veja aqui  e depois volte para este artigo.

Creio que seja bem provável que, caso você não saiba quem é a Legião Urbana, ao menos já tenha ouvido alguma de suas músicas. Muitas delas rolam em nossos encontros pastorais (Pais e filhos, Que país é esse, Índios, Será, Perfeição, por exemplo). Renato Russo, o vocalista e principal letrista do grupo, foi um referencial para boa parte da minha geração. Suas composições falavam e pareciam escritas para nossas angústias e situações adolescentes e juvenis.

Desde esta primeira fita cassete, eu passei a acompanhar de perto a carreira da Legião. Todo disco a ser lançado era de uma espera ansiosa. Todas as faixas eram ouvidas e decoradas. Os discos e fitas anteriores eram compartilhados entre os amigos. E as letras eram interpretadas a nosso bel prazer. Umas eram mais diretas (E há tempos são os jovens que adoecem. E há tempos o encanto está ausente...), enquanto outras davam linha a diversas interpretações (Vamos deixar as janelas abertas, deixar o equilíbrio ir embora...).

terça-feira, 15 de maio de 2012

E nosso coração ardia...


Era por volta das três da tarde. Camila subia a ladeira em direção a praça da matriz. Quando estava quase lá, ela encontra Daniel, parado em frente à banca de jornal tentando se atualizar das últimas notícias através das manchetes do dia anterior. Ela veio por trás dele e o abraçou. Já haviam se passado três meses que eles não se viam, mas o reencontro foi como se tivessem se esbarrado ontem.

O que fora um misto de alegria e surpresa pelo reencontro, foi dando lugar ao desencanto e a melancolia. Há três meses eles haviam dado fim a uma experiência que havia se arrastado por outros tantos 10 meses. Camila e Daniel nunca foram namorados. Eles eram coordenadores do grupo de jovens da matriz.

Muitas perguntas marcavam a conversa deles. “Será que valeu todo empenho, esforço, dedicação, dias e noites em preocupação para que o grupo desse certo?”, “Por que o grupo fracassou?”, “De quem é a culpa?”, “Por que não despertamos neles o gosto para ir além?”.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Todo mundo pode ser líder?

Este texto poderia começar com o título “Liderança é um dom?” ou “Pode-se aprender a ser líder?”. Já foram discutidos por aqui em três textos os aspectos e cuidados com a liderança jovem dos grupos da pastoral (O que é ser líder, Liderança jovem e Cuidados com os líderes). Contudo é preciso deixar bem clara a resposta para a pergunta título.

Pode qualquer jovem acanhado, que ingressa hoje num grupo de uma comunidade afastada, lá na periferia de qualquer cidade que nós conheçamos vir a se tornar um líder pastoral conhecido, ou mesmo uma grande liderança em sua comunidade local?

A Pastoral da Juventude crê que sim. Liderança não é algo que somente vem das características pessoais que herdamos. É algo indiscutivelmente fruto de um meio. Claro que ser uma pessoa carismática ajuda muito, mas algumas características pessoais podem ser incentivadas para que o jovem chegue a ser uma liderança expoente. Aponto sete destas características.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Que horas você para?

Eu estava ontem voltando para casa depois de um dia de trabalho. O metrô nem estava tão cheio quanto costuma ser normalmente. Eu estava num banco, virado para a janela e a noite já tomava conta da paisagem. O cansaço e o sono eram fortes. Os olhos pesavam. Foi quando eu me dei conta de uma coisa interessante.

Olhei para as pessoas que saiam numa determinada estação e para outras que entravam. Poucas conversavam umas com as outras. Poucas também sorriam. O passo era apressado. Os rostos tristes, preocupados ou impenetráveis.

Num dos bancos próximos a mim estava uma mulher com um bebezinho de colo. Até onde minha vista alcançava, somente nós três estávamos sorrindo. Num mar de indiferença, temores e isolamento, o sorriso daquela criança era uma ilha de conforto. Quantos ali viram aquela criança? Quantos puderam aliviar o peso da carga diária com o olhar doce que ela transmitia?

Sim, você pode achar que este texto está muito piegas, sentimental demais. Então me deixe valer de outro exemplo, antes de entrarmos na questão pastoral de fato.