quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Quem é você nesta história?

Era tarde, quase noite. Sexta-feira. Pessoas apressadas nas ruas, mal se olhavam. Cheias de compromissos, pensamentos distantes de seus corpos, passos largos. Alguns se dirigiam aos ônibus, outros caminhavam para as garagens. Um tanto de gente, porém, caminhava sem dar indicação do destino.

José era um destes últimos. Filho de paraguaios, trazia em seu rosto os traços indígenas que reportavam à ancestralidade dos primeiros povos desta América Latina. Também estava apressado. Vinha do trabalho e para economizar alguns trocados, ia a pé para a faculdade. Conseguira bolsa de estudos. Não poderia faltar.

Para ganhar um tempo, resolve sair do itinerário comum e rotineiro e pegar um atalho por baixo do viaduto. Se ele tivesse seguido seu caminho natural, talvez esta história não precisaria ser contada. Alguns jovens apareceram do nada. Sob o viaduto, José foi abordado. Abordado, agredido, insultado, desfigurado.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Vai desistir agora?

Colega veio falar comigo a respeito do grupo. Disse que já estava cansado e que a galera não vinha mais no mesmo pique de antes. Ele não sabia mais o que fazer para o pessoal se motivar e participar mais. Estava desanimado.

Uma amiga foi a uma consulta médica para entregar uns exames de rotina e tomou um choque ao saber que a situação do seu organismo já não era tão boa como há dois anos. Ela estava com uma doença séria e o tratamento era extremamente desgastante. Seu estado emocional ficou abalado.

Notícias chegam de assessores que desanimaram do acompanhamento. Não aguentam mais insistir em diálogos inexistentes com o clero e com diversas lideranças de outros movimentos e pastorais que insistem em olhar para seus próprios interesses e estruturas e não para uma ação pastoral de conjunto.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Fragmentos de uma utopia

Era 12 de julho. Dia de sol. De manhã eu me encontrara com muitos amigos, companheiros de caminhada. Rimos, comemos, bebemos juntos. Depois do almoço, cada um foi para o seu canto. Ia ter jogo da seleção. Era o último jogo do Brasil naquela Copa do Mundo. Muita gente ligada. Eu, pessoalmente, não me importava muito com o resultado.

Mas era o Brasil em campo. De um lado a seleção local. Do outro uma finalista da última copa do mundo. Países de tradição. Muita rivalidade. O último encontro entre os times havia sido marcante, mas não dera ao vencedor o título daquela Copa.

Como eu disse, eu tinha outras preocupações. Nem mesmo a derrota do Brasil por três a zero me abalaram. Eu havia feito uma longa viagem. Saíra de casa no dia anterior. Almoçara numa cidade e estava agora ali, comendo um churrasco com gente que eu acabara de conhecer, na periferia de um município que eu nunca havia pisado antes. Parece que foi por estes dias. Mas isto aconteceu há 16 anos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A vida é tão rara

Era um sábado pela manhã e eu saí para doar sangue. Não era para ninguém em específico. E não conto isso aqui para ganhar o aplauso ou possível compaixão pela história. Conto isso como um mote para dizer que a vida é muito frágil.

Poderia começar, por outro lado, contando que este ano já me presenteou com Rafael, meu sobrinho e com Miguel, meu sobrinho-neto e que até o fim do ano mais um sobrinho-neto, o Artur, deve chegar também. Bebês como eles, delicados, frágeis, indefesos mostram os detalhes do milagre da vida e como podemos facilmente perder este dom fantástico com uma bobagem qualquer que façamos ou com uma doença ou um mal inesperado.

Mas volto à história da doação e a fragilidade da vida. Meu organismo produz uma proteína numa quantidade maior do que a média das pessoas. Isso me impede de consumir alguns alimentos e me é indicada a doação de sangue como forma de diminuir a quantidade dessa proteína no organismo. Não faz mal a quem recebe meu sangue e faz um bem danado a mim.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Uma pedra no meio do caminho

Já faz algum tempo que esta história vem remoendo dentro de mim. Quantos outros grupos poderiam se identificar com esta parábola? Quantos passam por situações parecidas? Quando eu a contei pela primeira vez, as pessoas logo associaram ao poema de Carlos Drummond de Andrade e também a superação pessoal diante dos problemas. Mas não era este o objetivo.

Entenda o contexto: era um grupo que estava fadado ao fracasso. Isolado, sem perspectiva. Pediram ajuda. Fomos contribuir. O texto abaixo era uma provocação para eles. Era um ponto de vista sobre a história que viviam. E não está exatamente como eu a contei. Há sim algumas adaptações, acréscimos e firulas. Mas a ideia principal continua aí. Será que você conhece grupos que se identificarão com Tiago?

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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Encontros e despedidas

Foram poucos os textos deste blog que trataram diretamente da minha pessoa e da minha atuação. Sim, há muito de experiência e de contatos pessoais por aqui, mas são raros os que fazem referência àquilo que fiz, vivi ou falei.

Encerrei o meu ciclo na assessoria regional da Pastoral da Juventude do Sul 1 no último domingo, dia 4 de maio. Foram anos de intenso aprendizado. Chega a ser clichê dizer que eu cometi muitos erros e que alcançamos juntos muitas vitórias. Mas isto é verdade.

Pude vivenciar cada momento daquela assembleia e fazer memória dos ciclos que se fechavam. Muitas pontas estavam abertas e algumas ligações precisavam ser refeitas. Muitos símbolos e momentos me fizeram viajar na história e encontrar no passado, distante ou recente, uma memória, uma pessoa, uma etapa com a qual fizesse par.

sábado, 19 de abril de 2014

Falando de estratégias e táticas

A palavra strategia, em grego antigo, significa a qualidade e a habilidade do general. A palavra vem do grego: stratègós: de stratos (exército) e ago (liderança). Este líder, o general no caso original, passou a se posicionar mais à distância, no alto das colinas, de onde podia observar o campo, adquirindo um maior potencial para selecionar a melhor posição e o melhor conjunto de manobras (do grego tatike – tática) para vencer a batalha e, mais provavelmente, a guerra.

Em termos bem gerais, estratégia é onde queremos chegar e tática é como devemos fazer para chegar. Por falar em pastoral, quando nos referimos à estratégia, ou seja, liderar (agos) este exército (stratos), ou os grupos que nos são confiados, estamos falando em planejamento estratégico.